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Apesar da redução do AUM, rentabilidade dos fundos de ações foi destaque no 1º semestre

Amanda Meneses

Pedro Gomes, diretor da Fitch Ratings
Pedro Gomes, diretor da Fitch Ratings

Diante do cenário de alta volatilidade e incertezas econômicas e geopolíticas, não é surpresa que a indústria brasileira de fundos tenha registrado captação negativa, de R$ 38 bilhões no primeiro semestre de 2025, repetindo o ocorrido em 2022 e 2023, refletindo que os juros elevados e as turbulências econômicas têm provocado a transferência de recursos para investimentos de menor risco, como ativos bancários. A surpresa, no entanto, é que a rentabilidade dos fundos de ações foi destaque no semestre.

Em seu relatório Panorama de Gestão de Recursos no Brasil do 1º semestre de 2025, a Fitch destacou que a redução ocorreu principalmente nos fundos multimercado e de ações, cujas participações de mercado caíram de 23,34% e 10,09% em 2020 para 15,06% e 6,18% em junho de 2025, ao passo que os fundos de renda fixa, de menor risco, e os de direitos creditórios (FIDCs), de menor juro para empresas que o crédito tradicional, aumentaram suas participações de 36,26% e 2,95% para 41,03% e 6,97%, segundo dados da Anbima.


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Apesar da redução do montante AUM (ativos sob gestão, em português), a rentabilidade dos fundos de ações foi destaque no período. Em relatório, Pedro Gomes e Pedro Carvalho, diretores da Fitch, pontuaram que o principal índice da bolsa subiu 15,44%, impulsionado pela forte entrada de investidores estrangeiros. “Após registrarem, em média, rentabilidade abaixo do benchmark nos últimos três anos, os multimercados superaram o CDI no semestre, o que é muito positivo para essa estratégia”, disseram os executivos.

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“A rentabilidade dos fundos multimercados e, principalmente, de ações melhorou no primeiro semestre. No caso dos fundos de ações, devido principalmente a entrada de recursos estrangeiros no país, que fez o Ibovespa bater recorde histórico. No entanto, o ambiente está muito volátil e é difícil dizer sobre a rentabilidade destas classes de ativos no segundo semestre no ano”, disse Gomes à Capital Aberto. 

Mas os altos juros seguem gerando bons ganhos para os fundos de renda fixa, tendência que deve se manter em 2026. Os diretores destacaram ainda alguns fatores a serem observados ao longo dos próximos meses, como condições fiscais, inflação, tributação de Investimentos, tensões geopolíticas e a Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Enquanto as pressões inflacionárias, os altos juros e a condição fiscal têm provocado grande volatilidade desde o segundo trimestre de 2024, o que deve manter a preferência por renda fixa, a tributação de FIDCs e certificados de recebíveis, entre outros investimentos, estabelecida pelo governo em junho, deve reduzir a rentabilidade destas aplicações. 

Os executivos lembraram que as preocupações geopolíticas estão crescendo, com o governo dos EUA estabelecendo tarifas de importação muito elevadas para outros países, o que tem gerado debates intensos no Brasil e pode ter forte impacto na economia brasileira, caso sejam implementadas em 50%. Eles citaram ainda as regras da CVM 175, que entraram em vigor ao final de junho, e devem surtir impacto na indústria de fundos. 

“A perspectiva para a indústria de fundos brasileira para os próximos meses é continuar o movimento do primeiro semestre. As taxas de juros devem continuar elevadas e isso leva os investidores a aplicações de menor risco. Vemos os investidores procurando títulos de renda fixa, incluindo fundos, mas principalmente títulos isentos de impostos”, disse Gomes, ponderando que o que pode mudar isso é uma tendência mais clara de redução das taxas de juros, o que o mercado considera que deve ocorrer provavelmente apenas no início do próximo ano.