Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Gatilho de alta da Selic 'não é formado por um indicador só', diz Galípolo, ao detalhar projeções do BC

Érica Polo

Executivos do Banco Central detalharam projeções da autoridade monetária sobre o comportamento da inflação na manhã desta quinta-feira (26), após a publicação do relatório de política monetária. A média dos núcleos de inflação deve se manter acima de 5%, tanto na variação trimestral dessazonalizada e anualizada quanto em doze meses, segundo o BC. O órgão estima 4,9% para o final deste ano, 3,6% para 2026 e 3,2% para o final de 2027. O documento, ademais, não sinaliza quanto tempo a Selic pode ficar no atual patamar, de 15% ao ano.

As expectativas para a inflação continuam desancoradas para o período entre 2025 e 2029, segundo o BC. As projeções do cenário de referência mostram que a inflação se manterá acima do limite do intervalo de tolerância nos próximos meses, começando a cair a partir do quarto trimestre, mas ainda permanecendo acima da meta, informa a autoridade monetária.

“Não há um gatilho [para uma nova alta de juros básicos] observando um indicador específico”, disse Gabriel Galípolo, presidente do BC, quando questionado sobre fator que poderia levar à eventual nova alta da Selic. “A gente analisa um conjunto deles, como sempre fizemos. Não há um deles que vá produzir uma reação mecânica, vamos dizer assim”, disse.


Aprenda a navegar pelo sistema tributário definido para os FIDCs no curso “Desvendando o Tributário de FIDC”


Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

No comunicado recente, o Conselho de Política Monetária (Copom) informou encerramento do atual ciclo de alta da taxa básica para observar os efeitos da estratégia recente sobre a economia. “Efetivamente, o nível de juro que a economia está sentindo hoje não é [ainda] o patamar em que a Selic foi colocada. Dada a defasagem da política monetária. É isso que justifica a pausa para entender se o atual patamar pode fazer efeito”, reforçou Galípolo.

Questionado por jornalistas sobre os efeitos relacionados à polêmica em torno do IOF (mudança essa derrubada pelo Congresso, mas com intenção do governo federal de judicializar a questão), Galípolo disse que o BC "segue com a estratégia de politica monetária independentemente disso". "Temos de esperar desdobramento final, para ver como vai impactar inflação corrente e expectativas", continuou.

Segundo o documento divulgado mais cedo pelo BC, os serviços devem seguir com medidas subjacentes elevadas e industriais também para o padrão do segmento, mas com alguma moderação. Já alimentação deve ter variações mais baixas, devido à sazonalidade e a desaceleração de alimentos industrializados. Além disso, o documento detalha que os preços administrados devem ter variações muito associados a energia elétrica, com bandeiras mais restritivas e efeito do bônus de Itaipu.

O BC destacou ainda que alguns fatores surpreenderam recentemente. A inflação ao consumidor no trimestre encerrado em maio foi levemente menor do que a esperada. Segundo o relatório de política monetária, o resultado foi qualitativamente semelhante ao projetado, mas entre os segmentos, as maiores surpresas ocorreram em preços administrados (para cima, principalmente por bandeira) e em alimentação no domicílio (para baixo, principalmente por conta dos 'in natura'). Em bens industriais e serviços, os resultados observados foram próximos das projeções.