CVM e Anbima destacam crescimento do mercado, e veem potencial para ampliação do financiamento ao agro

A evolução do mercado de capitais tem sido pauta frequente entre players e reguladores. A indústria de fundos, por exemplo, passou de R$ 210 bilhões para R$ 10 trilhões em pouco mais de duas décadas e meia. Apesar do crescimento, executivos ainda veem potencial para mais, especialmente em relação à interconectividade do agronegócio e o mercado de capitais, visto que o financiamento privado, ainda que sucessivo, atinge percentuais inferiores a 50%. Na abertura do Anbima Summit 2025, realizado na capital paulista nesta quarta-feira (25), Carlos André, presidente da Anbima, destacou o avanço do mercado de capitais, fazendo referência às dez edições do Congresso de fundos e as três realizações do Anbima Summit, nos últimos 26 anos.
“A Anbima cresceu em representatividade e influência desde o nosso Congresso de Fundos. Foram muitas mudanças e continuam a ocorrer até hoje”, ressaltando que ocorreu democratização do mundo dos investimentos.
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André lembrou os números da indústria de fundos e o crescimento do mercado secundário, ponderando que embora a renda fixa ainda seja predominante entre os investidores, os produtos estão mais sofisticados, dando espaço a ativos securitizados, por exemplo. O executivo citou ainda o protagonismo dos investidores no mercado, e que, neste sentido, a Anbima está revendo a documentação dos fundos, em proteção aos participantes. André apontou a correlação entre a economia do país e os investimentos. “O mercado de capitais não é invisível. Tem uma relação direta com a economia real”, disse.
O presidente da Anbima destacou a relevância do agronegócio, lembrando que CRAs e Fiagros equivalem hoje a 31% do financiamento do mercado rural, sendo este número correspondia a 19% em 2020. Posteriormente, citou o trabalho de proximidade com os reguladores e os Poderes Executivo e Legislativo, devido ao peso da agenda dos parlamentares sobre o mercado e os associados.
Já no painel de autoridades, sobre macroeconomia e regulação, João Pedro Nascimento, presidente da CVM, citou a “revolução” advinda da CVM 175, o marco regulatório dos fundos de investimentos. O executivo da autarquia apresentou ainda um recorde da indústria de fundos, lembrando que o país tem enfrentado desafios fiscais e macroeconômicos e, que estes surtem efeito no mercado de capitais. Ainda assim, ressaltou que o mercado cresce ano a ano. “O tamanho da indústria de fundos do Brasil ultrapassou R$ 9,5 trilhões”, dizendo que é uma indústria sofisticada e comparável à de alguns dos maiores países do mundo.

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“O que vemos aqui é a adequação do Brasil aos melhores padrões internacionais e, mais uma vez, impulsionando o Sul global nessas questões”, afirmou Nascimento, dizendo que as escolhas regulatórias do país têm sido aderidas por países vizinhos. O executivo citou também outras iniciativas da CVM, como a de alterar a norma de FIPs, na intenção de atrair e fomentar a entrada de empresas menores no mercado de capitais, e a publicação de diversos Ofícios Circulares.
Segundo o último ranking da IOSCO, em 2021, o Brasil ocupava o 4º lugar como maior mercado de capitais do mundo sob a ótica dos fundos de investimento. Já em 2022, no mesmo ranking, ficou em 6º lugar em relação à indústria de fundos.
“A função econômica essencial do mercado de capitais é conectar poupadores e tomadores, e quando isso acontece, gera uma prosperidade para toda a economia”, opinou, citando, mais tarde, a importância do agronegócio e o crescimento de seu financiamento por meio do mercado de capitais. “Ainda há muito espaço para crescimento. Há muito gap entre a participação no PIB e esse potencial de financiamento pelo mercado de capitais”.
Ainda durante o painel, Nilton David, diretor de política monetária do Banco Central do Brasil, citou a agenda de inovações do BC, lembrando o desenvolvimento do Drex e da construção de alternativas de funding ao imobiliário, dizendo que elas devem ser encontradas em conjunto com o mercado, a exemplo das maiores economias do mundo. O executivo falou ainda sobre o patamar de juros no Brasil, e ponderou que a economia brasileira apresenta dinamismo.
Papel do agro
Em painel sobre o setor, Pedro Lupion, Deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ressaltou o discurso de Nascimento, da CVM, falando do uso de títulos como alternativa de financiamento ao Plano Safra. “Para fomentar essa participação, temos que criar incentivo e não problemas”, disse, lembrando da exclusão de trechos que incluam a tributação de FIIs e Fiagros na Reforma Tributária. “Semana passada derrubamos o veto para que os fundos continuem sendo atrativos. O mesmo estamos enfrentando agora com as LCAs”, citando a MP 1303/2025.
Lupion ressaltou que títulos como LCAs são atraentes para todos os tipos de investidor, inclusive o menor, lembrando que eles corresponderam a 43% do financiamento da safra atual. “A safra 24/25 significou R$ 1,2 trilhão e o Plano Safra não chegou a 20% disso. Temos que buscar alternativas nos bancos, títulos, cooperativas”.
O Brasil está caminhando para mais uma safra recorde, principalmente de milho, de praticamente 150 milhões de toneladas e, com isso, a previsão é que os preços sofram com uma queda brusca. Visto isso, a intenção do Legislativo é fomentar meios de financiamento e seguros. “Temos que buscar alternativas para buscar esse crédito mais seguro e barato. E por isso precisamos mudar a Lei”, disse.
O parlamentar acredita que o Brasil tem potencial para se tornar produtor mundial de destaque, mas, para isso, precisa atuar com financiamento e em questões como a do escoamento da produção.
Lupion lembrou ainda que o mundo vive cenário geopolítico turbulento, a exemplo dos conflitos no Oriente Médio que afetaram o preço dos fertilizantes, e, consequentemente, os produtores agrícolas, citando que os desafios são diários, além das questões sistêmicas do setor e as políticas, como a de tributação dos investimentos. Nesta quarta-feira (25), a Câmara vota tentativa de derrubada ou não da Medida Provisória sobre IOF publicada pelo governo federal.


