Anbima estreia segunda fase de campanha para atrair brasileiros aos fundos de investimentos

De olho em atrair investidores para o mercado de capitais, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) colocou na rua, na semana passada, a segunda fase de uma campanha que objetiva estimular o interesse do brasileiro por fundos de investimentos. O conteúdo da campanha “No fundo você pode” vai alcançar pessoas que, em sua maioria, são ainda poupadores.
“Na primeira fase do trabalho, que durou mais ou menos 50 dias, fizemos um esquenta. Passamos a mensagem de que, quem investe, pode mais: pode realizar seus sonhos, seja viajar, fazer um curso e por aí vai”, disse Amanda Brum, superintendente de Comunicação e Marketing da Anbima. “Abrimos o caminho para gerar consciência de investir. Agora que abordamos que investir é importante, mostramos como opções os fundos de investimentos”, conta.
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A segunda etapa da campanha foi anunciada na semana passada durante o Anbima Summit, promovido na capital paulista.

O plano é ter uma longa conversa com o brasileiro, por isso o trabalho de comunicação deverá acontecer em etapas ao longo de três anos. A atual fase deverá rodar até abril de 2026 em redes sociais, televisão aberta, podcasts, ônibus e metrô – e estará também em streaming, como Netflix e Spotify.
Os focos são, sobretudo, as classes B e C, além das gerações X e Y. “Mas entra um pouco da classe A e da geração Z também. O Portiolli [Celso Portiolli, apresentador do ‘Domingo Legal’ no SBT], por exemplo, dialoga 100% com a classe C. E para nossa surpresa, ele bomba junto à geração Z”, conta Amanda.
O programa do SBT é um dos destinos da campanha em TV aberta, mas o foco é bem variado. Entra na lista, como mais um exemplo, o humorístico Porta dos Fundos, que está nas redes sociais.

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Dados da 8ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, elaborado pela associação, evidenciam o conservadorismo das pessoas no país. “O Brasil tem uma Itália que investe, mas dentro dela há uma Malásia que é apenas poupadora”, disse Rodrigo Cerveira, membro do think tank de comunicação e marketing da Anbima, além de sócio e CMO da Vórtx. “Somos ainda o país da poupança”.
Ao todo são 59 milhões de pessoas investidoras no país – ou o equivalente à população da Itália, no paralelo feito pelo publicitário. Só que, desse total, 32 milhões de pessoas (ou ‘a população da Malásia’) ainda deixam o dinheiro exclusivamente na poupança.
“É uma Itália de investidores, que integra uma Malásia de poupadores e uma Austrália de apostadores”, segue Cerveira, citando ainda os que enxergam bets como investimentos. Neste último caso, são quatro milhões de pessoas que ele classifica como confusas entre os conceitos apostar e investir.
O desafio de comunicação é significativo. Será preciso esclarecer muita coisa para conquistar potenciais investidores de mundos distintos. Se trata de atrair para a mesma conversa perfis poupadores (alguns desconfiados, outros apenas desinformados), além dos seduzidos pelas bets – que têm um forte apelo em meio a muitos, cita Cerveira.
A conversa com o brasileiro, vale lembrar, tem início num momento de mudança de regras no mercado. Só neste ano, por exemplo, três Fundos de Investimentos em Direito Creditório (FIDC), o atual queridinho do mercado de capitais, vieram a mercado com foco no investidor de varejo. Mas há muita diversidade entre esses veículos, desde os sem taxa até os mais complexos, com equipes de assessoramento, lembra Amanda, da Anbima.
Interesse por fundos
Apesar da quantidade de poupadores e apostadores no Brasil, o levantamento da Anbima mostrou que existe interesse por fundos. Mesmo que só 5%, entre os 59 milhões de brasileiros identificados na pesquisa com dados de 2024, apliquem em fundos de investimentos, o Google Trends evidencia que as buscas por ‘fundos de investimento’ superaram em 30% as pesquisas por ‘caderneta de poupança’.
As principais dúvidas são ainda bem básicas, como ‘o que são fundos’, ‘como funcionam’, se ‘são seguros’ e ‘como se ganha dinheiro com eles’. Visando trazer respostas, a campanha promovida pela Anbima foge da linguagem ‘farialimer’ para alcançar o investidor em potencial.
Para os executivos envolvidos, a primeira coisa fundamental é “descer do pedestal”, alcançando os diferentes públicos em seus universos por meio de linguagem clara para mandar o recado. Depois da primeira fase, com duração de 50 dias, o site criado recebeu cerca de 300 mil visitas. “As pessoas estão sendo impactadas. Temos recebido o retorno de parentes de funcionários, conhecidos, primos de pessoas que trabalham aqui e sabemos de pessoas do mercado”, finaliza.
O portal da campanha é www.nofundovocepode.com.br.


