Wall Street e dólar decolam após otimismo com negociações entre EUA e China
Os mercados de ações operam em alta nesta segunda-feira (12), abrindo a semana de maneira positiva diante da expectativa de que a tensão entre as duas maiores economias do mundo atenue após a Casa Branca anunciar que um acordo parcial com a China parece ter sido finalmente fechado. No Brasil, no entanto, a alta do Ibovespa ainda é discreta, visto que há ainda o peso da temporada de balanços e expectativas sobre a economia interna. O dólar também avança.
Por volta das 16h40, o S&P 500 subia 2,94%, enquanto o Dow Jones avançava 2,58% e o Nasdaq Composite apresentava ganhos de 3,94%. Enquanto isso, o dólar voltou a subir ante o real, com variação de 0,84%, negociado a R$ 5,70. Já o Ibovespa subia 0,19%, aos 136.765 pontos, em um dia de oscilação.
Segundo comunicados desta segunda, após as reuniões em Genebra, ambos os países concordaram em suspender a escalada tarifária por 90 dias, com os EUA reduzindo suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China ajusta suas taxas sobre importações americanas de 125% para 10%. “Em um mercado ainda fragilizado por incertezas geopolíticas, esse tipo de notícia tem o poder de mudar o humor — e deve ser bom para ativos brasileiros, ações e dólar”, disse Matheus Spiess, analista da Empiricus, em seu boletim “Mercado em 5 minutos” nesta manhã.
Hoje, especificamente, segundo Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, estamos vivenciando uma mudança no fluxo de capital, com o recurso saindo de empresas cíclicas e alavancadas e entrando em ações de empresas de commodities, muito por conta de uma realização de lucros visto a valorização expressiva de empresas do varejo, construção civil, educação, e das que fazem uso intensivo de endividamento, como as do setor de logística, hospitais e tecnologia.

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“Como consequência, logo após esse anúncio dos EUA de que estavam em um relacionamento menos agressivo com a China, dado que chegaram em um acordo sobre tarifas, o preço das commodities passou a reagir de forma bem intensiva, com preços do petróleo, do minério, papel e celulose recuperando grandes perdas que tiveram ao longo das últimas semanas”, explica o gestor da Hike. “Por conta disso, o Ibov acaba compensando a alta das commodities com a realização que está ocorrendo com as ações cíclicas e alavancadas.”
A sinalização de “trégua” atenua pressões sobre as cadeias produtivas e desencadeia um cenário positivo para os ativos aqui e lá fora. Há ainda na agenda da semana indicadores econômicos e discursos de autoridades monetárias, como os dados de inflação nos EUA, que influenciam as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) e números de varejo e serviços no Brasil, que favorecem a leitura da atividade local, além da divulgação da ata da última reunião do Copom, a ser divulgada nesta terça-feira (13). Os resultados corporativos da temporada de balanços também seguem no radar.
O mercado local aguarda ainda o balanço da blue chip Petrobras, a ser divulgado no pós-mercado desta segunda, o que promete mexer com o índice.
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