Payroll surpreende, mas cortes de juros ainda são distantes
Após os dados de Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025 mais fraco, divulgados na quarta-feira (30), foi a vez de o relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll) entrar no radar do mercado nesta sexta-feira (02). A geração de empregos nos EUA em abril superou as expectativas, mas segundo especialistas, ainda não é suficiente para indicar uma antecipação de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). Wall Street reagia de maneira positiva no início do dia, também influenciado por possível diminuição das tensões entre EUA e China a respeito das tarifas.
Por volta de 12h53, o S&P 500 subia 1,25% a 5.674 pontos, enquanto o Dow Jones valorizava 1,10%, a 41.202 pontos e o Nasdaq Composite ganhava 1,45%, a 17.967 pontos. Já no Brasil, o Ibovespa operava em queda de 0,46%, aos 134.503 pontos, enquanto o dólar caía 0,46%, negociado a R$ 5,65.
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As folhas de pagamento não agrícolas aumentaram em 177 mil vagas no mês passado, após um aumento revisado para baixo de 185 mil em março, segundo o Bureau of Labor Statistics do Departamento do Trabalho em seu relatório de emprego (payroll) observado nesta sexta. As expectativas, segundo economistas consultados pela Reuters, eram de criação de 130 mil vagas em abril, após um aumento de 228 mil em março.
“Os números de empregos de abril dos Estados Unidos chegaram a 177 mil, superando os 138 mil previstos e desafiando as expectativas de fragilidade econômica após um relatório negativo do PIB do primeiro trimestre. No entanto, com o PIB negativo, em grande parte devido ao aumento das importações e à redução dos gastos do governo, o relatório de hoje, que mostrou uma taxa de desemprego estável de 4,2%, indica potenciais discrepâncias contínuas entre dados concretos e não concretos”, comenta Lara Castleton, chefe de construção de portfólio e estratégia dos EUA da Janus Henderson, em comentário sobre o payroll.
Na visão da executiva, infelizmente, para aqueles que desejam taxas mais baixas, considerando os dados do payroll desta semana, neste ritmo fica mais difícil para o Fed realizar cortes no início do ano. “Os mercados de renda fixa estão se ajustando de volta à narrativa de alta por mais tempo. Para os investidores, permanecer investido em empresas de qualidade e buscar spreads ajustados ao risco deve ser uma prioridade. Somente resoluções comerciais estabilizarão os mercados; permanecer investido continua sendo o mantra enquanto isso”, opina.

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Wall Street voltou a subir hoje, em uma semana intensa entre a temporada de resultados e dados econômicos dos EUA. “Microsoft e Meta animaram o mercado na quarta-feira, com números robustos, mas o entusiasmo perdeu força após os balanços de Apple e Amazon, divulgados ontem à noite, que decepcionaram e continuam pressionando as ações no pre-market desta sexta-feira”, apontou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, em seu relatório “Mercado em 5 minutos” esta manhã.
As ações da Apple e da Amazon.com recuaram nas negociações após o expediente na quinta-feira, com previsões, incluindo os custos estimados de tarifas da Apple, decepcionando os investidores depois que as ações relacionadas à tecnologia dos EUA subiram no início do dia.
As ações da Apple caíram 4% após o fechamento do mercado de quinta. Embora os resultados da empresa tenham sido melhores do que os analistas esperavam, o CEO Tim Cook afirmou que as tarifas estimadas adicionarão cerca de US$ 900 milhões em custos ao trimestre encerrado em junho, caso as tarifas não sejam alteradas.
Cook também descreveu mudanças na cadeia de suprimentos da empresa para minimizar o impacto da guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump.
Já as ações da Amazon.com caíram 2,5% depois que a empresa relatou crescimento na receita de nuvem no primeiro trimestre e previsão de lucro operacional abaixo das estimativas. Já nesta sexta, enquanto Apple ainda derrete 3%, Amazon cai pouco mais de 0,50%.
Mas um fator que tem gerado otimismo e influenciado o movimento no mercado hoje é a possível negociação entre China e EUA sobre as tarifas. Segundo o Ministério do Comércio, os Estados Unidos abordaram a China para tentar negociar sobre as tarifas de 145% de Trump, e a porta de Pequim estava aberta para discussões. Pequim está "avaliando" uma oferta de Washington para negociar sobre as tarifas paralisantes do presidente dos EUA, Donald Trump, disse o Ministério do Comércio da China na sexta, sinalizando uma potencial redução na guerra comercial que abalou os mercados globais.
Os EUA devem estar preparados para tomar medidas para "corrigir práticas errôneas" e cancelar tarifas unilaterais, disse o Ministério do Comércio em um comunicado, acrescentando que Washington precisa mostrar "sinceridade" nas negociações. A expectativa dos mercados é que a tensão entre Pequim e Washington diminua.
*Com informações da Reuters


