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Dólar derrete e Ibovespa sobe quase 3% após super-quarta

Amanda Meneses

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos

O dólar opera em queda ante o real nesta quinta-feira (8/5), após os anúncios das decisões do Banco Central (BC) e do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa básica de juros aqui e nos Estados Unidos. Já o Ibovespa tem uma sessão positiva, com investidores reagindo ao tom do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que embora tenha mantido a porta aberta para novos ajustes, mostrou uma linguagem mais branda.

A moeda norte-americana perde mais de 1% hoje, à espera de um alto fluxo de capital buscando renda fixa brasileira. Por volta das 15h00, o dólar caía 1,13%, negociado a R$ 5,68. “Existe um suporte na região dos R$ 5,60 onde o fluxo de compra entra forte, não deixando o preço da moeda americana cair com facilidade”, lembra Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. 

Para Elson Gusmão, diretor de operações da Ourominas, a queda do dólar hoje parece refletir um movimento técnico de ajuste após a Super Quarta, influenciado pelas sinalizações do Fed e do Copom. “Embora o mercado não tenha sido pego com surpresa pela manutenção dos juros nos EUA, ainda há muita incerteza no cenário global”, aponta, dizendo que o real acompanhou o movimento de outras moedas emergentes, mas que o ambiente externo ainda é desafiador, marcado por volatilidade e dúvidas sobre o ritmo de desaceleração econômica nos EUA. “Por isso, é prematuro afirmar que essa queda do dólar será sustentada — por ora, vejo mais como um ajuste pontual do que uma tendência consolidada”, complementa.


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O dólar recua, em linha com um dia mais positivo para os ativos brasileiros, em um contexto em que a percepção de risco começa a mudar de tom. "O dólar global (DXY) até avança frente às moedas fortes, mas o real acompanha os emergentes e responde com mais intensidade ao reposicionamento de expectativas. A leitura dos próximos passos do Fed segue no radar, mas o câmbio hoje reflete principalmente os sinais de trégua externa e a reanálise dos prêmios de risco domésticos", aponta Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP, dizendo que a sinalização de trégua comercial, com os EUA fechando acordo com o Reino Unido, e as decisões de política monetária estão ditando os movimentos no mercado hoje.

Já o Ibovespa, por volta das 15h, subia 2,75%, aos 137.071 pontos. Sant’Anna, da Axia, comenta que estamos vivendo um dia, e um pregão, de euforia, com várias notícias positivas, mas questionáveis, como a coletiva do Trump anunciando um “grande acordo" com o Reino Unido, com direito a ligação telefônica com o primeiro-ministro e vários secretários presentes.

“Contudo, a coletiva teve mais cara de afago ao ego do presidente americano do que um documento efetivo com as regras e taxas que possam ser utilizadas como balizadores para os próximos acordos comerciais. A impressão que ficou foi de um recuo de Trump e uma possível linha de 10% em tarifas que possam ser replicadas para outros países”, disse o especialista da Axia. “Na minha visão, o anúncio do Trump foi muito básico, e foi superestimado pelo mercado. Mas vamos aguardar os próximos capítulos”, diz.

O anúncio reduziu as incertezas relacionadas às políticas tarifárias internacionais. “Esse cenário favoreceu setores sensíveis à atividade econômica, como varejo e bancos, que apresentaram fortes altas no pregão”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “Mas, é importante destacar que, apesar do otimismo atual, o mercado permanece atento aos desdobramentos das políticas monetárias e fiscais globais, bem como aos impactos das tarifas comerciais recentemente implementadas.”

Já aqui no Brasil, Sant’Anna, da Axia, cita dois pontos interessantes. O primeiro é o resultado do Bradesco, com lucro bilionário, que puxou a alta das ações em 16% no pregão, contaminando positivamente todo o setor bancário (IFNC sobe quase 6%), e também o Copom ontem, que elevou a Selic em 0,50 p.p., e fez parte do mercado entender que o ciclo se encerra aqui, com expectativa de manutenção da taxa nas próximas reuniões e início dos cortes até o final do ano.