Analistas técnicos projetam Ibovespa a 150 mil pontos após rompimento de resistências históricas
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, vem renovando sucessivamente seu recorde em 2025, tendo superado na última terça-feira (20) a barreira simbólica dos 140 mil pontos. Fechou na data com alta de 0,34%, encerrando o pregão a 140.109 pontos. As máximas históricas não se limitaram ao índice e foram registrados em mais 11 ações do Ibovespa, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Ontem (21), houve correção no indicador com o recuo de 1,59%, a 137.881 pontos, mas que não muda a tendência. A perspectiva para o Ibovespa segue positiva sobre qualquer método de análise. Para os analistas gráficos, procurados pela Capital Aberto, a principal barreira foi rompida aos 137 mil pontos, o que abre espaço para altas que levem o índice a 150 mil.
Relatório técnico do Itaú BBA, com o título “Ibovespa: ao infinito e além!”, divulgado após o índice superar a marca de 137.634 pontos, projeta altas em direção aos 142 mil e 150 mil pontos. “O Ibovespa iniciou 2025 em torno dos 118 mil pontos e demonstrou uma trajetória de alta consistente ao longo dos cinco primeiros meses do ano. Um momento chave foi a superação da marca de 130 mil pontos no início de fevereiro”, comenta Fábio Perina, estrategista Gráfico do Itaú BBA, reforçando que há uma tendência de alta e lembrando que os picos de volatilidade nos mercados, especialmente em abril, foram frutos dos anúncios de tarifas liderados por Donald Trump. Perina acrescenta que há uma convergência positiva nos mercados internacionais após o acordo entre Estados Unidos e China, que potencializaram índices de referência como o S&P 500 e o Nasdaq.
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“O Ibovespa estabeleceu uma nova máxima histórica nesta semana, e nossas projeções apontam para os próximos patamares de 142 mil e 150 mil pontos nas semanas seguintes”, projeta o analista técnico do Itaú BBA.
A superação das máximas históricas pelo Ibovespa já era projetada pela análise gráfica do Itaú BBA. A expectativa de atingir agora os 150 mil pontos deriva, segundo informa Fábio Perina, de uma projeção de extensão de Fibonacci - ferramenta usada para identificar possíveis níveis de suporte (fundo) e resistência (topo) nos preços de um ativo. “Utilizando como base o fundo de aproximadamente 118 mil pontos, de outubro de 2024, e a máxima de 137 mil pontos alcançada em dezembro de 2024, a extensão desse movimento projetava o patamar de 150 mil pontos como objetivo potencial.”

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O efeito Fibonacci é mencionado também por Gilberto Coelho, analista técnico da XP, para explicar o desempenho ao longo do ano, lembrando o começo do Ibovespa perto da mínima de 118.500, com “foco em risco fiscal”, saltando para 129 mil em fevereiro. “Entre fevereiro e março, com muita volatilidade, o Ibovespa conseguiu definir a retomada das médias de 21 e 200 dias reforçando um sinal de alta já mirando 140 mil pontos por Fibonacci”, explica Coelho, acrescentando que em abril, com Trump, a volatilidade ganhou força e as médias foram perdidas novamente por uma semana até as pausas nas tarifas e um tweet (postagem no atual ‘X’) de compra de Trump – referindo-se à iniciativa de incentivo do presidente americano para compra de ações naquele momento.
“Este movimento marcou um belo fundo no gráfico nos 122.700 seguido de retomada das médias de 21 e 200 dias, voltando a projetar os 140mil pontos.” Na visão do analista técnico da XP, com o Ibovespa batendo agora em 140 mil pontos, mesmo com risco de correção nos suportes entre 135 mil e 129 mil, as novas projeções miram em algo na faixa de 150 mil e 165 mil pontos.
A análise técnica do BB Investimentos, divulgada em relatório assinado por Luan Calimério e André Oliveira, lembra que o “rompimento de resistências históricas e o comportamento das médias são consistentes com a continuidade da tendência de alta”, ponderando que a figura gráfica do pregão do dia 15/05, bem como o IFR (Índice de Força Relativa) em zona de sobrecompra, sugerem uma correção técnica, ainda que dentro da tendência principal de alta.
O IFR, indicador de momentum que mede a velocidade e a mudança dos movimentos de preços, varia entre 0 e 100 e é usado para identificar condições de sobrecompra ou sobrevenda de um ativo. Escrito antes de o Ibovespa bater a barreira dos 140 mil pontos, o relatório do BB destacava que “caso corrija a rota, o topo anterior de 137,6 mil operará como primeira linha de suporte”.
Perspectiva para os papeis
No Guia Técnico de Ações do BB Investimentos, houve aumento na quantidade de ativos com tendência positiva. Dos 194 papéis monitorados, 79% (153) estão em tendência de alta ou alta consolidada, contra 67% (130) na semana anterior. Entre os ativos com tendência de baixa e baixa consolidada, houve redução: 16% (32), contra 26% (51) na semana anterior. O Ibovespa manteve a tendência de alta forte. Na tendência de curto prazo para os papeis, o relatório do BB menciona diversas ações com perspectiva de “alta forte”, entre elas Aeris (AERI3), Aliansce Sonae (ALOS3), Alpargatas (ALPA4) e Ambev (ABEV3).
Na XP, os destaques individuais de Gilberto Coelho são JBS (JBSS3) com alvo nos R$ 50 e suporte em R$ 37,50; Petrobras (PETR4) com alvo nos R$ 37 e suporte em R$ 29,50; e Ezetec (EZTC3) com alvo nos R$19 e suporte em R$12,99. “O prazo que consideramos de alvos é de até 3 meses.”
As recomendações do Itaú BBA focam em três companhias. Nesta semana, a análise técnica da casa indica dois BDRs de Tesla (TSLA) e TSMC Taiwan Semicondutores (TSMC34), além de Hapvida (HAPV3). Para Tesla, afirma Fábio Perina, foi identificado um potencial de subida rumo aos R$ 65, de 7%. “Acreditamos que um objetivo mais longo para um período de 3 a 6 meses poderia ser sua máxima histórica em R$ 94,30.” Para TSMC, o potencial de valorização para o primeiro objetivo é de 13%, a R$ 156, e para a Hapvida é de 11%, com objetivo inicial em R$ 3,08. “Em um horizonte um pouco mais longo de 3 a 6 meses vemos potencial da ação buscar R$ 3,75.”
