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Oferta supera R$ 150 bi no 1º tri e alcança novo recorde, diz Anbima

Érica Polo

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima

As ofertas no mercado de capitais no primeiro trimestre do ano alcançaram R$ 152,3 bilhões, com alta de 12% em comparação ao mesmo período de 2024, alcançando um novo patamar recorde para o período, divulgou nesta segunda-feira (14) a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Os instrumentos de renda fixa responderam pela maior parte da captação – ou R$ 142,6 bilhões – com destaque para as debêntures, as quais também atingiram um patamar inédito para o trimestre do ano. Renda variável foi responsável por R$ 1,2 bilhão e os híbridos somaram R$ 8,5 bilhões, em comparação a R$ 3,8 bilhões (variável) e R$ 13,9 bilhões (híbridos) registrados entre janeiro e março de 2024.

O contexto do cenário macroeconômico explica o retrato, disseram executivos da Anbima, que esperam um “ano forte” (2025) para a captação.

“Dado o cenário de níveis de juros mais elevados, um pouquinho de aversão a risco no mundo, é natural que o instrumento de renda fixa ganhe espaço frente aos demais instrumentos”, disse Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, sobre o desempenho até agora.

“O primeiro trimestre é historicamente mais duro, mais difícil, é um trimestre com menos atividade. E, ainda assim, foi o melhor trimestre da série histórica, com destaque para os instrumentos de renda fixa, que tiveram alta de mais de R$ 20 bilhões em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o qual também foi um recorde naquele momento, em relação à série histórica”, destacou César Mindof, diretor da entidade.

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Somente a oferta de debêntures, corporativas e incentivadas, somaram R$ 103 bilhões distribuídas em 126 operações – ano passado foram R$ 72 bilhões em 103 operações. Do total, 45% correspondem às incentivadas, as quais puxam operações indexadas ao IPCA. Com impacto das incentivadas, 42% do total se destinou ao setor de infraestrutura – o maior volume –, seguido por pagamento de dívidas e recomposição de caixa, informa, ainda, a Anbima.

Maranhão chamou a atenção para a tendência de crescimento das debêntures de securitização para o ano. A captação via o instrumento somou R$ 7,6 bilhões no trimestre, ante R$ 500 milhões entre janeiro e março de 2024. “O instrumento tem algumas facilidades do ponto de vista de enquadramento pelo lado dos investidores”, comenta.

Ocorreu crescimento de oferta, ainda, em FIDCs e notas comerciais. Os fundos de direitos creditórios captaram R$ 14,5 bilhões em 231 operações, com leve alta em comparação ao ano passado, quando R$ 14,26 bilhões foram captados em 226 operações. Notas comerciais chamaram a atenção por praticamente dobrarem o volume, de R$ 3,4 bilhões em 20 operações no primeiro trimestre de 2024 para R$ 6,8 bilhões em 32 operações neste ano.

Houve recuperação em oferta de Fiagros, que mantiveram o número de operações (11) na comparação entre períodos, mas o volume cresceu de R$ 430 milhões para R$ 1,62 bilhão entre janeiro e março de 2025.

Já em CRIs, CRAs e FIIs houve recuo, com desempenhos de R$ 11 bilhões, R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões, nesta ordem, no acumulado até março deste ano. Alterações de regras no ano passado explicam os dados referentes aos certificados, enquanto o cenário macro explica o recuo para os fundos imobiliários.

Secundário cresce 34%

O mercado secundário de debêntures chamou a atenção no período, com alta média de 34,2%, somando negociações de R$ 196 bilhões em títulos incentivados ou não, no primeiro trimestre deste ano – a variação considera igual período de 2024. A maior alta, de quase 40%, ocorreu na negociação de incentivadas, que alcançaram R$ 77,6 bilhões. Já os negócios com debêntures ‘corporativas’ somaram R$ 119 bilhões, com alta de 31%.

O documento divulgado pela associação informa, ainda, que houve captação de R$ 11,1 bilhões em 12 operações no mercado externo, em renda fixa. É o maior volume para o período desde 2014.