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Mercado ensaia recuperação após reagir mal à possível demissão de Powell

Redação/Reuters

Jerome Powell, presidente do Fed

Investidores realizaram vendas de ativos de Wall Street na segunda-feira (21) após o presidente dos Estados Unidos Donald Trump criticar a política de taxas de juros de Jerome Powell e integrantes do governo afirmarem que estudam a demissão do executivo. O movimento, no entanto, atenuou nesta terça, dando lugar à valorização das Bolsas norte-americanas pela manhã, mas investidores ainda temem um impacto mais profundo nos preços dos ativos caso a tentativa de demissão de Powell ocorra, minando a confiança na capacidade do banco central de combater a inflação e agir de forma independente.

Parte do impacto já foi visto nos preços dos ativos, com o dólar caindo para uma baixa de três anos na véspera, com as ações sendo vendidas junto com o S&P 500, agora cerca de 16% abaixo do pico de fevereiro, e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de referência aumentando. Ouro chegou à máxima de US$ 35 mil, com investidores procurando refúgio em ativos seguros, enquanto dólar caía em relação a outras moedas, mas movimento atenuou hoje.


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“A semana começa com os mercados atentos a fatores que têm mexido com o humor dos investidores. No exterior, o destaque fica para as novas críticas de Donald Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell. Os ataques aumentam a tensão em torno do BC americano e geram receios sobre possíveis interferências políticas nas decisões de política monetária. O ruído vem justamente em um momento em que o mercado já está de olho em possíveis mudanças nas tarifas comerciais”, lembra Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP.

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O executivo menciona ainda que as falas programadas de dirigentes do Fed nesta terça, como Philip Jefferson e Patrick Harker, ganham peso maior nesse contexto, com os investidores tentando calibrar expectativas para os próximos passos da política monetária americana em meio a pressões políticas e sinais mistos da economia.

No câmbio, o real abre a sessão em valorização frente ao dólar, acompanhando o movimento de moedas emergentes, mas o viés ainda é de cautela. “Afinal, tudo continua muito condicionado ao que vem de fora, especialmente dos EUA, e ao andamento das pautas fiscais aqui dentro”, disse Costa.

O dólar caía 0,70% em relação ao real, negociado a R$ 5,76, por volta das 11h35. Por aqui, o Ibovespa operava próximo da estabilidade. Já os principais índices dos EUA, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiam 1,71%, 1,80% e 1,95%, respectivamente. Wall Street ensaia recuperação em meio a reações sobre balanços divulgados e expectativas sobre resultados como o de Tesla, a ser divulgado após o fechamento do mercado nesta terça.

Inicío de semana conturbado

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA com prazo mais longo subiram na segunda-feira. A saída de Powell pode exacerbar a pressão de alta sobre o chamado prêmio de prazo – uma medida da compensação que os investidores exigem pelo risco de manter títulos de longo prazo. As expectativas de inflação do mercado, medidas pelos Títulos do Tesouro Protegidos pela Inflação de 10 anos e pelos Títulos do Tesouro de 10 anos, permaneceram relativamente estáveis ​​na segunda-feira.

O conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse na sexta-feira que Trump e sua equipe continuavam estudando se poderiam demitir Powell, enquanto Trump disse na segunda-feira que a economia poderia desacelerar a menos que as taxas fossem reduzidas imediatamente. A Casa Branca não quis fazer mais comentários na segunda-feira.

Investidores, no entanto, disseram que estavam começando a levar a sério a possibilidade de uma tentativa de demitir Powell, apesar das barreiras. Não está claro se Trump teria permissão legal para demitir Powell, que é nomeado pelo presidente, mas confirmado pelo Senado.