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Captação da renda fixa desacelera e indústria de fundos perde R$ 39,8 bilhões no 1º trimestre

Jiane Carvalho

Pedro Rudge, diretor da Anbima

A indústria de fundos de investimentos alcançou em março deste ano um patrimônio líquido de R$ 9,4 trilhões, alta de 7,2% sobre igual período do ano passado, mas com um sinal de alerta. Dados apresentados nesta quinta-feira (10) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram uma captação líquida positiva no primeiro trimestre da categoria renda fixa – que tem sustentado a indústria nos últimos anos – de R$ 43,2 bilhões, porém, com forte desaceleração sobre igual período de 2024, quando ingressaram na categoria R$ 134,4 bilhões. A saída de recursos no trimestre só não é maior do que os resgates registrados em 2023. No acumulado, os fundos registraram R$ 39,8 bilhões de resgates.

Para o diretor da Anbima Pedro Rudge, por enquanto, é “difícil responder com muita sinceridade” sobre um possível ano de resgates líquidos da indústria de fundos, dado a desaceleração do primeiro trimestre da renda fixa, principal fonte de captação em tempos de juros altos que seguem desestimulando a tomada de risco pelo investidor. Até março deste ano, fundos de ações perderam, em termos líquidos, R$ 27,3 bilhões, enquanto multimercados viram sair R$ 43,8 bilhões. Já os FIDCs, que veem ganhando espaço no mercado, perderam R$ 15,1 bilhões, porém com o movimento concentrado em um único FIDC, com saídas de R$ 16,9 bilhões. Se não fosse este produto, os FIDCs teriam captado, em termos líquidos, R$ 1,8 bi.


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Sobre o restante do ano, Rudge vê espaço para captação líquida positiva dos fundos. “Eu acho que a gente deveria finalizar com uma captação positiva muito porque, do que aconteceu nos últimos dois anos, já tiveram saídas muito relevantes e, na medida em que a taxa de juros permanece em patamares maiores, os fundos deveriam ser uma alternativa atraente”, comenta o executivo, lembrando a concorrência dos fundos com alguns outros produtos isentos como CRI, CRA, LCI e LCA. “Continua atraindo investidores e com uma assimetria bastante relevante, o que torna a competitividade do produto fundo mais difícil.” Pedro Rudge acrescenta que o desempenho do primeiro trimestre pode ser algo temporário. “É difícil ter uma previsão muito clara de como vai ser a fotografia lá em dezembro.”

Sobre o desempenho dos produtos estruturados – FIP e FIDC – enquanto os fundos de participações captaram R$ 5,4 bilhões líquidos, menor do que em 2024, os FIDCs viram saídas puxadas por um único fundo. “Há uma ligeira redução na captação líquida dos FIPs, de R$ 6,5 bi para R$ 5,4 bi, mas que ainda assim representa a segunda maior captação do período, atrás apenas da renda fixa”, comenta Julya Wellisch, diretora da Anbima, acrescentando que na Previdência houve também saídas de R$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre, contra uma captação líquida de R$ 11,5 bi em igual período de 2024.

Na apresentação de resultados do setor, destaque também para o perfil do investidor que acessou os fundos. Entre janeiro e março, apenas o poder público realizou aportes positivos na indústria, com R$ 62,5 bilhões. Institucional resgatou R$ 29,4 bi; Corporate e Middles sacaram R$ 42,3 bi, enquanto pessoas físicas retiraram da indústria R$ 31,5 bilhões.