Maior inflação para fevereiro em 22 anos reforça tese de BC mais duro
O medidor oficial da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 1,31% em fevereiro, ficando 1,15 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de janeiro (0,16%), maior IPCA para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta foi puxada pelos preços de energia e educação. Apesar do indicador, o Ibovespa operava praticamente estável, puxado por expectativas em relação aos balanços. Por volta das 11h46, o principal índice da B3 recuava 0,04%, aos 123.451 pontos.
No ano, o IPCA acumula alta de 1,47% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 5,06%, acima dos 4,56% dos 12 meses imediatamente anteriores. A maior variação em fevereiro foi registrada pelo grupo Educação (4,70% e 0,28 p.p.), seguido de Habitação (4,44%), responsável pelo maior impacto (0,65 p.p.) no índice do mês, puxado pela energia elétrica residencial.
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“Embora a inflação tenha superado a taxa de janeiro, que foi a mais baixa desde 1994, esse número veio dentro das expectativas do mercado. O fim do bônus de Itaipu explicita a aceleração no grupo Habitação. Enquanto isso, os preços de alimentos desaceleraram, embora ovos e café tenham tido uma elevação", disse Pedro Ros, CEO da Referência Capital, em nota.

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As altas nos grupos, porém, vieram de ajustes pontuais, segundo o IBGE. No grupo Educação (4,70%), a maior contribuição veio dos cursos regulares (5,69%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo, enquanto no grupo Habitação o que pesou foi a energia elétrica residencial ao avançar 16,80% em fevereiro, após a queda observada em janeiro (-14,21%), em função da incorporação do Bônus de Itaipu.
O dado de hoje confirmou que a dinâmica de inflação segue desafiadora e respalda a extensão do ciclo de aperto monetário em curso. "Embora o índice do IPCA tenha vindo em linha com o mercado, ele assusta por ser a maior referência desde 2003, continuando com o centro da meta bastante acima, forçando não só o próximo aumento do BC de 100 bips, que já está consolidado na última ata, mas sim continuar com o aumento da Selic nas próximas reuniões”, opina Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, em nota.
O CEO da gestora ressaltou que os custos de energia e educação continuam subindo, e os preços de serviços e combustíveis seguem resistentes, o que prolonga os efeitos da política monetária, tornando o crédito mais caro e desacelerando o consumo e os investimentos. “Além disso, a inflação acima do limite da meta aumenta a incerteza para as empresas, exigindo que o Banco Central (BC) adote medidas ainda mais rigorosas", disse.
