Bolsas se animam e Ibovespa fecha com ganho de 2,64%; dólar recua
O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (14) com forte alta (2,64%), alcançando o patamar de 128.957 pontos, puxado por um maior apetite a risco, na esteira de um dia positivo nas bolsas internacionais nos EUA, Ásia e Europa. Na China, houve anúncio de medidas de estímulo ao consumo, o que animou os mercados asiáticos. O movimento nos mercados, contudo, também está relacionado à fuga de investidores dos Estados Unidos em meio às incertezas geradas pelo presidente do país, Donald Trump. Ao contrário do Ibovespa, o dólar cedeu 1%, fechando a R$ 5,74.
O jogo parece ter virado temporariamente no globo, com investidores fugindo dos EUA “para buscar pechinchas em terras onde o risco ainda compensa o retorno”, segundo Matheus Spiess, economista e especialista em investimentos da Empiricus, em seu relatório 'Mercado em 5 minutos' desta manhã. Após uma sessão positiva na Ásia, Ibovespa, da B3, e os mercados europeus e americanos operaram em alta, e recuperaram parte das perdas recentes.
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“A China tem sido uma das grandes beneficiárias do recente redirecionamento de fluxos globais, à medida que investidores buscam diversificação em meio ao caos tarifário e à instabilidade nos mercados ocidentais. E como um bom roteiro de Pequim, bastou um vislumbre de estímulo para desencadear o maior rali do mercado chinês dos últimos dois meses”, comentou o analista da Empiricus.
O regulador financeiro da China divulgou um comunicado orientando bancos e outras instituições financeiras a incentivarem o financiamento de consumo e o uso de cartões de crédito, mas também há rumores de medidas similares em Pequim, o que gerou otimismo.
“Pequim sabe que precisa colocar dinheiro na rua para reverter a desaceleração, mas o dilema persiste: como fazer isso de maneira eficaz sem inflar ainda mais bolhas ou deteriorar ainda mais a confiança do setor privado?”, indaga Spiess. Paralelamente, segundo ele, há um consenso crescente de que Pequim pode emergir como um dos grandes vencedores das disputas comerciais globais, o que tem disparado os sinais de alerta sobre os impactos de longo prazo para a economia mundial.
“Essa percepção vem dando um gás adicional ao mercado acionário chinês, que se apoia na expectativa de um cenário em que os Estados Unidos se enroscam na própria guerra tarifária, enquanto a China se reposiciona para capturar oportunidades estratégicas no vácuo deixado pelos americanos. Resta saber até que ponto essa tese se sustenta ou se estamos apenas diante de mais um rali baseado em promessas”, disse.


