Ata do Copom destaca desaceleração da atividade e sinaliza ritmo menor de alta na Selic
O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (25) a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a decisão da última reunião dos dias 18 e 19 de março. O Copom ressaltou que o ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, especialmente em relação às políticas tarifárias, e discutiu a desaceleração da atividade econômica brasileira, destacando também que o cenário prospectivo de inflação segue desafiador.
O Comitê disse, na ata, que o contexto externo tem gerado ainda mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed e acerca do ritmo de crescimento nos demais países. “Foi adicionada uma explicação sobre a incerteza em relação à política comercial dos EUA e seus efeitos, o que antes não estava explícito; Foi incluída uma menção a sinais de moderação no crescimento, sugerindo uma mudança na percepção sobre o dinamismo da economia”, comenta Leonardo Costa, economista do ASA. Também houve piora nas projeções de inflação do Focus em relação à reunião de janeiro.
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Já em relação aos cenários e análise de riscos, a entidade citou que o cenário prospectivo de inflação segue desafiador em diversas dimensões. “O Comitê segue avaliando que o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta”, diz a ata.

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O colegiado comenta que os dados referentes aos últimos meses seguem oferecendo sinais que sugerem uma incipiente moderação do crescimento, em linha com seu cenário-base. “O Comitê reforçou que alguns indicadores mais recentes, como de serviços, indústria ou população ocupada têm indicado moderação de crescimento após extraordinária resiliência no mercado de trabalho e na atividade econômica”, ponderou.
“A Ata do Copom discute longamente a desaceleração da atividade, em que se destaca a cautela em relação aos dados recentes (cita o PIB do 4T24 mais fraco, mas também cita os dados do 1T25 mais fortes), com o BC muito longe de confirmar a desaceleração da atividade e/ou celebrar algum eventual benefício da desaceleração sobre a inflação”, comenta Costa, do ASA.
Para o economista, o tom segue bastante cauteloso, destacando a resiliência do mercado de trabalho e o impacto da confiança na economia. Em relação à desancoragem, o Copom disse que “O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".
A ata, que pode ser considerada de tom neutro, destaca três pontos sobre a condução da política monetária citados pelo comunicado, indicando que o ciclo ainda não está encerrado devido ao cenário inflacionário adverso e pontuou que o próximo ajuste será de menor magnitude por conta das defasagens da política monetária, finalizando que o colegiado optou apenas por uma indicação da direção do próximo movimento devido à elevada incerteza, sem citar números.
“Na condução da política monetária, o BC se colocou dependente dos dados, além de aguardar os efeitos defasados da política monetária. Consideramos a Ata neutra em relação ao comunicado, seguimos apostando em apenas mais uma alta de 0,50% na reunião de maio de 2025”, opina Costa.
