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Sinais de desaceleração econômica têm pouco efeito nas previsões inflacionárias, que seguem em alta

Jiane Carvalho

O Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central, segue na mesma direção das semanas anteriores, com os economistas piorando as expectativas de inflação para 2025 e 2026. Até aqui, dados recentes, que indicam desaceleração da atividade econômica, tiveram pouco ou nenhum reflexo nas expectativas do mercado. Com Selic a 13,25% ao ano e uma alta “contratada” de um ponto na reunião de março, analistas veem mais elevações na sequência.

No Focus, analistas mantêm previsão de Selic terminal de 15% em dezembro deste ano e de 12,50% no fim de 2026, ambas mantidas em relação à semana passada. A projeção para 2025 passou de 5,58% para 5,60%, enquanto para 2026 a estimativa foi de 4,30% para 4,35%. A projeção do PIB, por sua vez, caiu de 2,03% para 2,01%.


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“Mesmo com a Selic elevada, o fato de as expectativas de inflação não cederem no ritmo esperado pode indicar um misto de fatores: uma resistência inflacionária estrutural, dúvidas sobre a condução da política fiscal e um possível repasse cambial, já que o dólar segue em patamar elevado”, comenta Sidney Lima, Analista CNPI da Ouro Preto Investimentos. “Isso compromete a eficácia dos juros altos e reforça a necessidade de uma comunicação mais clara do Banco Central e do governo sobre a estratégia para equilibrar crescimento e controle da inflação."

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Segundo Lima, o mercado parece estar antecipando que a inflação pode exigir um ajuste mais incisivo e prolongado, o que pode impactar a recuperação da atividade econômica e manter o custo de capital elevado. "O desafio agora é entender até que ponto esse movimento é reflexo de uma inflação persistente ou apenas uma reação temporária do mercado."

Desaceleração econômica

Em que pese os analistas ouvidos pelo Focus sigam elevando a expectativa de inflação, há dados que indicam efeitos dos juros altos na economia. O Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), conhecido como “a prévia do PIB”, registrou uma queda de 0,7% em dezembro na comparação com o mês anterior, na série com ajustes sazonais. O dado veio abaixo das expectativas do mercado. Com isso, o IBC-Br encerrou 2024 com uma alta de 3,8%.

“O desempenho no mês de dezembro, explica o economista da Suno Research Rafael Perez, foi influenciado por uma queda generalizada nos diversos setores da economia, com destaque para o recuo no setor de serviços (-0,5%), no varejo (-0,1%) e na indústria (-0,3%).

“Ao longo de 2024, diversos fatores impulsionaram a atividade econômica, com destaque para a taxa de desemprego em mínimas históricas, aumento dos salários, melhores condições de acesso para o crédito e uma forte elevação dos benefícios sociais. Contudo, o último trimestre do ano passado já sinalizou para um esgotamento dos vetores que impulsionaram a atividade diante de uma política fiscal e monetária mais restritivas”, comenta Perez. “Ainda assim, o PIB do primeiro trimestre de 2025 deve registrar um crescimento expressivo, impulsionado pela safra recorde de grãos, principalmente de soja, que concentra quase 60% de sua produção entre janeiro e março.”

Na análise de Rafael Perez, esse efeito positivo será temporário, e os setores mais cíclicos da economia devem perder força ao longo do ano, “à medida que a inflação elevada, o aperto das condições financeiras e a menor expansão fiscal limitam o ritmo da atividade”. A Suno Research projeta desaceleração do crescimento do PIB para 1,9% neste ano.