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B3 lança Índice de debêntures e planeja produtos derivados como ETFs

Amanda Meneses

Ricardo Cavalheiro, superintendente de índices da B3

A B3 vai lançar o Índice de Debêntures Ultra Qualidade DI, índice de renda fixa baseado em debêntures aceitas como depósito em garantia pela Câmara B3, ou seja, não inclui debêntures perpétuas, conversíveis e permutáveis, debêntures de emissores que façam parte do mesmo grupo econômico da B3, ou que estejam em recuperação judicial ou extrajudicial na data de rebalanceamento. A Bolsa brasileira já planeja, inclusive, um Exchange Traded Fund (ETF) do produto em breve.

O produto, que será lançado ao mercado oficialmente nesta quinta-feira (13), recebeu o nome de “Ultra Qualidade” devido aos altos critérios implementados pelo time de gestão de risco para a seleção dos ativos, diz Ricardo Cavalheiro, superintendente de índices da B3. Desde o ano passado, a B3 implementou uma política de aceite de debêntures como instrumentos de garantia para as diferentes necessidades que os investidores têm a utilização como colateral para os produtos que negociam.


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Um exemplo dessas operações em que as debêntures podem atuar como garantia é o contrato futuro. “Quando você abre uma posição, seja comprada ou vendida, ela vai sofrer ajustes diários enquanto estiver aberta, e o investidor precisa depositar algum ativo ou dinheiro que garanta o pagamento desses ajustes diários”, explicou Cavalheiro, em coletiva realizada pela B3 nesta quarta-feira (12).

“O que fizemos foi sistematizar essa lista de debêntures e implementar um processo de construção formal de um índice para servir como referência para os investidores, para entender a performance também desse grupo de empresas selecionadas”, disse o executivo.

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O Índice, de Retorno Total, conta com 22 ativos de 8 emissores, com um limite de 15% de participação por empresa. Ou seja, ainda que um emissor tenha mais de um papel no índice, o peso total dele não deve ser superior a este percentual. Ele possui carteira teórica de prazo médio superior a 720 dias corridos e rebalanceamento mensal, para refletir eventuais mudanças ocorridas.

“Os rebalanceamentos são feitos mensalmente e a performance do índice reflete o retorno total dessas debêntures, tanto pagamento de juros quanto apreciação de preço delas em si. Por ser um critério bastante seletivo, hoje o índice conta com 22 ativos emitidos por 8 emissores e a referência de performance dele é de DI mais uma taxa calculada. Só as debêntures com essas características são incluídas nesse índice”, esclarece Cavalheiro.

Como é um índice de renda fixa, a revisão é feita com uma frequência um pouco maior, devido ao prazo de vencimento. O índice será rebalanceado mensalmente, mas, por exemplo, caso haja o pagamento de algum cupom no período, algum evento específico ligado ao pagamento da debênture nesse período, os ajustes são feitos de forma diária.

Ativos selecionados

Entre os critérios para fazer parte do índice estão ser um emissor listado em Bolsa, com emissão significativa acima de R$ 300 milhões; valor médio diário nos últimos 12 meses acima de R$ 500 mil; e limites de duração de vencimento, que não pode ser superior a 10 anos, não podem ser perpétuas, não podem ser compressíveis, nem permutáveis.

Na carteira, estão nomes como Compass, Cosan, Sabesp, Marfrig e Rede D’Or e a perspectiva é que, com o tempo, a B3 amplie a estratégia de cobertura e acrescente empresas com o tempo, ou em um novo índice atrelado a outro indexador. 

“Esse foi o primeiro. Sempre temos que começar sempre por alguma iniciativa e a gente decidiu partir para o CDI+. Mas, obviamente, a gente vai considerar aqui a expansão desse índice para considerar os outros indicadores que sejam contemplados ali na lista”, disse o executivo da B3.

Entre os planos, inclusive, está um ETF atrelado ao produto. Segundo Cavalheiro, a B3 já está em negociação para o licenciamento desse índice e a expectativa é que, a curto prazo, já seja possível ver alguns instrumentos que possam ser utilizados para ter exposição a debêntures. A Bolsa também pretende bater este ano o recorde de lançamentos que ocorreu em 2024, com sete novos índices. Não se sabe, no entanto, as temáticas ainda.