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Ativos brasileiros na “pechincha” entram no radar do investidor estrangeiro, diz Mesquita, do Itaú

Jiane Carvalho

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú

O “valor justo” para o dólar frente ao real em três cenários desenhados pelo banco Itaú oscila entre R$ 5,66 e R$ 5,85 este ano, com uma cotação média de R$ 5,78. Para 2026, nas projeções divulgadas nesta terça-feira (18) pelo banco, o dólar deve ficar perto de R$ 6,06, na média dos diferentes cenários analisados, ou seja, uma alta frente à cotação atual. A taxa de câmbio é um dos componentes importantes para a formação de preço e o controle inflacionário, mas ao que sugere as projeções do Itaú, há pouco espaço para recuo.

Na análise do economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, o recuo atual na cotação – que iniciou o ano a R$ 6,50 e caiu para níveis de R$ 5,90 – é fruto do ambiente externo, com Donald Trump inicialmente menos agressivo do que se esperava com a implantação de tarifas. As intervenções do Banco Central no câmbio, via swap ou venda no mercado à vista, devem ser mais limitadas daqui em diante. “O nível de reservas não está baixo, mas já foi bem mais alto. As reservas cairiam para um patamar mais delicado e não permitem uma política de intervenção tão intensa”, comentou Mesquita, citando como exemplo a estratégia adotada em 2014.


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As previsões macroeconômicas divulgadas em evento promovido pelo banco Itaú também indicam uma alta inflacionária este ano, para 5,8%, frente aos 4,8% registrados no ano passado, e de 4,7% em 2026. O cenário descrito pelo banco para o câmbio e a inflação, além de outros elementos fiscais, indicam uma Selic de dois dígitos por um bom tempo. A previsão do Itaú é de taxa encerrando 2025 a 15,75% ao ano, com o início do afrouxamento monetário a partir de janeiro de 2026, levando a taxa a 13,75% em dezembro do próximo ano.

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“Se o Brasil quiser ter um juro mais baixo, vai ter que, em algum momento, voltar para o teto (modelo antigo). Ou se resignar a ficar com os juros mais altos”, comenta Mesquita. “É claro que para você ter o teto de gastos sustentável, você tem que ter mais flexibilidade na condução da política fiscal. Enfrentar problemas que a gente não tem enfrentado. Eu não estou dizendo que é fácil, politicamente, mas eu não sou político. Não tem mais atalho.”

O economista-chefe do Itaú, falando sobre a atratividade do Brasil ao investidor estrangeiro, afirmou que há melhoras no ambiente, principalmente para título de dívida local (bonds). O Tesouro Nacional, inclusive, prepara uma emissão de títulos no mercado internacional com vencimento em 2035. “Ouvi de um investidor importante lá fora que, se o Brasil viesse com US$ 10 bilhões por ano de emissão, não teria dificuldade de colocar esse volume. O que não sei é se é recomendável, algo para ser testado”, comenta Mesquita, acrescentando que demais ativos brasileiros, privados, também atraem os olhares. “Tenho conversado com investidores estrangeiros e estão mais animados com o Brasil, veem os preços dos ativos tão baixos que começaram a enxergar certas pechinchas no país. Não é unânime, mas me chamou a atenção o aumento do interesse pelo Brasil.”

Captação do Tesouro

Na tarde desta terça-feira (18), o Tesouro Nacional informou que concedeu mandato para emissão de títulos em dólares no mercado internacional. De acordo com o comunicado, será realizada a emissão de um papel de 10 anos (2035). A operação é liderada pelos bancos Bradesco, JP Morgan e Morgan Stanley.

"O objetivo da operação é dar continuidade à estratégia do Tesouro Nacional de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, provendo referência para o setor corporativo, e antecipar financiamento de vencimentos em moeda estrangeira", diz a nota sobre a primeira emissão externa de bonds no ano.