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IPCA acima da meta e payroll pressionam juros

Amanda Meneses

Nesta sexta-feira (10), o mercado recebeu novos dados que reforçam um cenário de alta de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Embora o indicador mensal tenha vindo um pouco abaixo do esperado pelo mercado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de 2024 divulgado hoje revelou uma inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, ressaltando a visão do mercado de que será necessária uma postura mais rígida da entidade em relação à Selic.

O IPCA subiu 0,52% em dezembro, totalizando 4,83% em 2024. Embora tenha ficado abaixo do registrado no mesmo período de 2023 (0,56%), o indicador foi superior à inflação de novembro (0,39%) e resultou num total anual acima do teto da meta do BC, que era de 3%, podendo oscilar em um intervalo entre 1,5% e 4,5%.


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A expectativa de boa parte do mercado era de um número mais próximo de 0,53%. “Já esperávamos uma aceleração do número de novembro para dezembro, principalmente aqui em função de preços de alimentos. Tivemos uma pressão maior do câmbio, subida do dólar. Claro que isso acaba influenciando ali toda a cadeia produtiva”, comenta Marcelo Bolzan, estrategista de investimentos, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital.

Em relação aos reflexos para o mercado, Bolzan lembra que as últimas comunicações do Banco Central, seja pela ata da última reunião ou relatório trimestral de inflação já tinham sinalizado que a inflação ficaria acima do teto da meta. “O que acontece agora é que o novo presidente do BC, o Gabriel Galípolo, terá que explicar, fazer uma carta oficial para o Congresso sobre porque os preços ficaram fora desse objetivo que a entidade tem. Pensando nas próximas decisões de juros, o Copom já tinha sinalizado mais dois aumentos de 1 ponto percentual, então isso deve acontecer”, complementa o executivo.

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Outro dado importante foi a divulgação do payroll, relatório de emprego divulgado pelo Departamento de trabalho dos EUA, que reportou a criação de 256 mil empregos não-agrícolas em dezembro, acima do esperado, de 164 mil vagas. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou de 4,2% para 4,1%, abaixo do esperado.

Segundo especialistas, os dados do mercado de trabalho estadunidense indicam que o ciclo de corte de juros poderá ser interrompido. “Esse resultado reforça a tese de que o Federal Reserve deve interromper o ciclo de cortes de juros e optar por manter as taxas obtidas na próxima reunião, enquanto avalia os riscos inflacionários associados a um mercado de trabalho tão aquecido”, diz Felipe Vasconcellos, Sócio da Equus Capital. 

Embora para a economia americana esse movimento sustente o consumo e a confiança, também impõe desafios ao controle da inflação. Já os reflexos para o Brasil envolvem a alta do dólar e possível perda de fluxo financeiro.

Um dos reflexos da divulgação dos dados nesta sexta-feira foi uma alta do dólar. Por volta das 11h44, a moeda norte-americana tinha valorização de 1,18%, negociada a R$ 6,11. Já o Ibovespa caía abaixo dos 120 mil pontos, 0,50%, a 119.181 pontos. Os índices dos EUA, por sua vez, também caíam. O S&P 500 caía 1,19%, a 5.847 pontos; enquanto o Dow Jones desvalorizava 0,94% a 42.233 pontos.

“Esse movimento, apesar de sinalizar uma economia americana resiliente, é especialmente prejudicial para o Brasil, pois pode atrair fluxos financeiros de volta ao mercado americano, pressionando o câmbio, encarecendo importações e limitando o espaço para estímulos econômicos domésticos", comenta André Matos, CEO da MA7 Negócios.