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Copom mantém guidance e eleva Selic para 13,25% ao ano

Érica Polo

Integrantes do Copom

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) presidida por Gabriel Galípolo, a taxa básica de juros brasileira teve alta de 100 pontos base e foi a 13,25% ao ano, conforme previa o guidance do Banco Central emitido após o encontro de dezembro do ano passado, e não surpreendeu o mercado. Esta foi a primeira reunião do Copom em que os diretores indicados pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva foram maioria no colegiado.

Em nota, o comitê informou, ainda, que diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação “antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de mesma magnitude na próxima reunião”.

“Para além da próxima reunião, o Comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, continua o texto.

Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, reforça que a decisão do Copom veio em linha com o esperado, visto que essa alta já estava contratada. “Na verdade, podemos considerar que a alta de juros em dezembro foi de 3%, parcelada em três vezes: dezembro, janeiro e março, ou seja, Roberto Campos Neto fez bem o dever de casa, visto que o cenário se deteriorou muito no último trimestre”, disse.

Ricardo Serone, diretor da BB Previdência, acrescenta que, mesmo que a autoridade monetária já tenha anunciado, na mesma ata, a possibilidade de duas altas seguidas na mesma proporção, o mercado estará muito atento a novas informações, expressas nos  comunicados, para ter mais clareza sobre os próximos passos da entidade.

“Os aumentos indicados já foram incorporados na precificação dos ativos, mas há uma expectativa sobre a próxima ata, que pode mudar esse cenário, caso surjam novas informações”, explica. Ele estima Selic na faixa de 14,25% a 15% ao final de 2025. “Caso não haja arrefecimento sensível na inflação, a taxa poderá atingir os 15% atualmente projetados pelo mercado. Se a política monetária fizer efeito no curto prazo, em até seis meses, poderá ficar em torno do menor patamar”, continua.

Moreira, da WMS Capital, acredita que “muito provavelmente” já no 2º trimestre o país pode começar a ver sinais mais claros de uma atividade econômica em desaceleração e inflação sentido os efeitos das altas de juros, “o que permitirá o mercado a fazer melhores projeções de quando será o fim do ciclo de alta da Selic”.

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O Copom afirmou ainda, na nota divulgada, entender que a decisão tomada é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta, sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços. A decisão também implica a suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo, diz a nota. “A inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação e novamente apresentaram elevação nas divulgações mais recentes”.

O Copom destacou, ainda, as expectativas de inflação para 2025 e 2026, apuradas pela pesquisa Focus do Banco Central, as quais elevaram-se “de forma relevante”, situando-se em 5,5% e 4,2%, respectivamente. “Persiste uma assimetria altista no balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação.”

Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário destacam-se a desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, uma maior resiliência na inflação de serviços (do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo), e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado – por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Já os riscos de baixa citados são os impactos sobre o cenário de inflação de uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, e um cenário menos inflacionário para economias emergentes decorrente de choques sobre o comércio internacional e sobre as condições financeiras globais. O recente movimento de queda do dólar, abaixo de R$  6,00, também ajuda.

“O Comunicado é muito parecido com os últimos, repetindo o tom hawkish. Acho que vale destacar que reafirmam que a magnitude do ciclo total vai depender da dinâmica da inflação, ou seja, eles vão deixar a porta aberta e, conforme evoluir a inflação, irão ajustando a Selic. É o cenário mais correto”, comenta Marcelo Bolzan, estrategista de investimentos, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital.

Ambiente externo

O comunicado destacou ainda que o ambiente externo permanece desafiador em função, principalmente, da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, o que suscita mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Federal Reserve (Fed). Nesta quarta-feira (29), o banco central americano interrompeu o ciclo de cortes e manteve a taxa na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.

Ademais, continua a nota, os bancos centrais das principais economias do mundo permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. “O Comitê avalia que o cenário externo segue exigindo cautela por parte de países emergentes.”


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