Após ajuste do mercado, dólar rompe piso de R$ 6 e vai para R$ 5,94

Em meio ao acompanhamento de uma série de medidas que estão sendo tomadas pelo recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o dólar começou a perder força ante o real. Segundo especialistas, no entanto, esse é um movimento natural do mercado devido às transações de início de ano e também tem relação com as reações aos anúncios do novo governo estadunidense.
Nesta quarta-feira (22), o dólar caiu 1,40%, fechando a R$ 5,94. Na véspera, a moeda fechou com leve queda e foi a R$ 6,03, em um dia que, inclusive, foi marcado pela realização de dois leilões de dólares pelo Banco Central (BC) somando US$ 2 bilhões, o que limitou a alta da moeda.
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“Assim como no final do ano sempre temos um aumento da moeda por causa das saídas e remessas de final de ano, todo começo de ano há um volume maior de entrada principalmente de grandes empresas estrangeiras, que aplicam seu capital aqui atraídos por nossa taxa de juros”, esclarece Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas. “Caso esse movimento persista, a moeda continuará a baixar, pois sempre digo que contra o fluxo não há argumento. Se houver uma atitude maior do governo em relação ao fiscal e ao déficit das contas públicas, o dólar pode baixar mais.”
Contudo, lembra o especialista, o mercado segue também atento às novas políticas de Trump, o que trará uma maior volatilidade, principalmente aos mercados emergentes. O mercado tem experimentado uma mescla esses dias, diante das reações a medidas menos severas em relação à economia e às tarifas prometidas pelo presidente dos EUA.

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"Estávamos prestes a passar por algum tipo de correção, e o fato de não termos obtido grandes resultados com as tarifas no primeiro dia meio que desencadeou essa realização de lucros", disse Brad Bechtel, chefe global de câmbio da Jefferies em Nova York.
Trump disse nesta terça-feira (21) à noite que seu governo estava considerando impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados da China em 1º de fevereiro, depois de ter dito anteriormente que o México e o Canadá poderiam enfrentar taxas de cerca de 25% até a mesma data. O republicano também prometeu taxar importações europeias, sem fornecer mais detalhes. Sobre o Brasil, também não há informações ainda. Enquanto isso, os investidores continuam aguardando anúncios concretos sobre os planos.
“A queda do dólar abaixo de R$ 6 é resultado de ajustes técnicos no mercado interno, combinados com sinais de maior moderação na postura do presidente Donald Trump em relação às tarifas de importação”, diz Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio. “As declarações do presidente, sugerindo a possibilidade de tarifas mais brandas sobre produtos chineses, ajudaram a reduzir parte das tensões comerciais, estimulando a realização de lucros em economias emergentes, como o Brasil.”
O movimento no mercado doméstico foi impulsionado pela percepção de que a retórica de Trump pode ser mais intensa do que suas ações efetivas, contribuindo para um ambiente mais favorável a ativos de risco, refletido pela cotação do dólar abaixo de R$ 5,95, marcando um alívio importante frente às pressões recentes no câmbio.
Embora o ajuste no câmbio sinalize uma resposta positiva às expectativas em torno do comércio global, o movimento ainda ocorre em um contexto de cautela. “Os mercados continuam atentos a possíveis mudanças na política econômica dos Estados Unidos, que podem ter impacto significativo sobre o cenário global. Além disso, o cenário fiscal doméstico segue no radar, pois qualquer mudança nesse aspecto pode afetar o sentimento dos investidores”, lembra Costa.
*Com informações da Reuters


