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Conflitos potencializam ganhos do ouro que promete repetir performance em 2025

Amanda Meneses

Após um ano de ganhos para o ouro, diante da volatilidade do ambiente macroeconômico e geopolítico, e sua popularidade como ativo de reserva de valor, 2025 promete ser novamente positivo – entre uma continuação ou até mesmo uma escalonada desse cenário. Embora alguns acreditem que o ativo pode perder espaço para o Bitcoin, segundo especialistas consultados pela Capital Aberto isso não deve ocorrer de maneira muito significativa.

O preço do ouro aumentou 31% em 2024 e, segundo avaliação do Scotiabank, continuará sendo impulsionado em 2025 por fatores como corte de taxa de juros dos EUA, a expectativa de inflação e enfraquecimento global do dólar americano, além de altos níveis de dívida, a incerteza geopolítica e as fortes compras do banco central.

Este cenário provavelmente resultará num “prêmio” acima da média sobre o valor justo do ouro, de acordo com a previsão do banco.

“Desde 2015, o prêmio calculado pelo Scotiabank GBM tem sido, em média, em torno de 5% do preço spot do ouro; mas em tempos altamente incertos (por exemplo, a crise financeira de 2008 e COVID-19 em 2020), o prêmio excedeu 25% do preço à vista (mais de 40% durante a crise financeira)”, dizem os analistas, em relatório, prevendo um prêmio de aproximadamente 17% em relação ao valor justo para 2025.


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O Scotiabank espera que as pressões inflacionárias continuem a diminuir, o que deve ter um impacto positivo sobre a estrutura de custos das empresas da cadeia do metal. Com isso, a previsão da casa é que o preço do ouro seja de US$ 2.6 mil/oz (onça-troy, unidade de medida de peso utilizada para metais preciosos que equivale a 31,1 gramas) para 2025. Alguns analistas do mercado, no entanto, já comentam sobre a cotação recorde de US$ 3 mil/oz.

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“É uma meta realista, embora não consiga ver preços muito superiores a isso. Também depende de como isso é alcançado. Se houver um evento ‘Cisne Negro’ que faça os preços dispararem, isso seria insustentável. Se funcionar gradualmente com base em investimentos sólidos, então poderá ser sustentável”, comenta Rhona O’Connell, chefe de Análise de Mercado da StoneX.

Ainda que o ouro já esteja em patamares elevados, atualmente na casa de US$ 2.7 mil /oz, o timing para se expor ainda não passou. Na segunda metade deste ano, muitos potenciais compradores ficaram à margem, à espera de uma correção decente do preço antes de entrarem como compradores. “Na maior parte das vezes, essas correções foram muito superficiais e só quando as eleições presidenciais nos EUA produziram um resultado claro, eliminando assim um elemento de incerteza, é que tivemos uma reação suficientemente grande para atrair alguns desses investidores”, aponta Rhonda.

Ainda segundo a especialista, mesmo que alguma parte do mercado fale sobre o Bitcoin ganhando espaço frente ao ouro como reserva de valor, devido à alta valorização do ativo digital, esse espaço deve ser pequeno, visto que a cripto é um ativo fabricado, não está regulamentada, é altamente volátil e a necessidade de uma rede de informática estruturada. O ouro físico, pelo contrário, é um ativo tangível e facilmente mobilizável. 

“No que diz respeito ao preço, se o objetivo é a valorização do capital, trata-se de um juízo de valor que será diferente para cada indivíduo ou gestor de fundos. Se o objetivo for a redução do risco, o preço de compra é irrelevante, diz a especialista, acrescentando que está estatisticamente provado que alocação em ouro numa carteira ultrapassa a fronteira eficiente - ou seja, reduz o nível de risco mantendo o nível de rentabilidade ou, vice-versa, aumenta a rentabilidade para o mesmo nível de risco.

Dito isso, diante da instabilidade global com guerras e conflitos entre países, principalmente, o ouro sempre volta aos holofotes. Rhonda cita, inclusive, o aumento dos riscos geopolíticos, em particular, como uma força motriz para o investimento profissional nesse ativo, que tem sido alvo de grande interesse por parte de instituições, gestores de ativos e Family Offices/investidores com elevado património líquido.