CVM vê ETFs como melhor “balão de ensaio” para inovações

Diante da estrutura segura, da clareza e transparência dos ETFs (exchange-traded funds, em português, fundos de índice), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vê nestes produtos um potencial para teses inovadoras, a exemplo de teses como a de exposição internacional e outras recém-exploradas como a de criptomoedas. Não está nos planos, no entanto, permitir ETFs inversos, sintéticos e alavancados como ocorre no exterior.
Esta foi a avaliação de Daniel Maeda, diretor da CVM, durante o Encontro Anual sobre Índices e ETFs no Brasil 2024, promovido pela S&P Dow Jones nesta quinta-feira (07).
“Vocês vão perceber que a CVM gosta muito de usar os ETFs como portas de entrada para a inovação. Geralmente, quando você pensa numa estratégia nova para o público de varejo, vai para o ETF primeiro, foi assim com os ETFs 100% de cripto, com os ETFs 100% índices do exterior, porque conseguimos usar ETFs como balão de ensaio melhor para inovações”, diz.

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Segundo ele, os ETFs poderiam funcionar bem para estratégias com índices complexos melhor do que qualquer outro produto. “É o produto de vocação para isso, que a gente consegue testar com muita efetividade, melhor do que com outro tipo de fundo.”
Maeda ponderou, no entanto, que a norma dos ETFs foi desenhada para um fundo passivo, então há um “problema de encaixe” em relação a teses mais ativas, o que necessitaria de ajustes na regulação atual. “É muito difícil conseguir acomodar uma estratégia de ETF ativo no anexo 5. Seria preciso pensar em muitas exigências ao longo do anexo 5 que teriam que ser dispensadas. Fica um exercício muito complexo de se fazer.”
O executivo citou no início do painel que a CVM pode revisitar o tema dos ETFs inversos, sintéticos e alavancados, mas que esses produtos, famosos especialmente na Europa, não são do interesse da entidade por questões de risco e modelagem, uma vez que seriam voltados aos qualificados e essa é uma abordagem que a CVM costuma evitar, limitar público, portanto, a vedação deve permanecer.
O diretor da CVM ressaltou o papel dos ETFs como grande vetor de inovação no Brasil e acredita que o produto deve crescer ainda mais, mas refletiu que este mercado localmente ainda está muito defasado em relação aos mercados internacionais. “Nosso mercado de ETFs é diferente de outros segmentos de fundos. É um mercado que ainda está muito defasado em relação aos padrões internacionais. Acho que ainda existe um certo gap de ‘vamos correr atrás’.”


