Economistas-chefe do Banco do Brasil e Banco do Nordeste veem 2025 desafiador, mas mantêm otimismo

As perspectivas para a economia em 2025 foram parte do debate, realizado nesta quarta-feira (09) que reuniu os economistas-chefes do Banco do Brasil, Marcelo Rebelo, e do Banco do Nordeste, Rogério Sobreira. Os executivos apresentaram suas avaliações sobre as projeções da economia mundial e as perspectivas para o Brasil no próximo ano durante a 38ª Reunião da Comissão de Estudos e Pesquisas da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). O evento, realizado a portas fechadas, contou com a participação de representantes das instituições associadas à ABDE, as quais integram o Sistema Nacional de Fomento (SNF).
Para Marcelo Rebelo, o contexto global é incerto devido ao ambiente geopolítico com duas guerras, além da indefinição da eleição americana: “Nossa visão para 2025 é mais otimista, sobretudo, do mundo emergente onde o Brasil está inserido. A principal razão é um processo de flexibilização monetária que, ainda que não perfeitamente sincronizado, ocorre por boas razões. Poderíamos estar em um contexto de corte de juros por uma recessão que se avizinha, e não é o caso”, ressalta.
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O entendimento é compartilhado pelo economista-chefe do Banco do Nordeste: “Projeções de mercado têm sido pulverizadas em 30 ou 40 dias. Torna-se muito difícil fazer uma leitura do futuro próximo, a curto prazo. É um contexto profundamente desafiador", avalia Rogério Sobreira, economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB). "O que se espera para 2025 é um ciclo de queda na taxa de juros que já se iniciou tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Se de um lado isso está associado a um crescimento mais anêmico no mundo desenvolvido, por outro não é um cenário de recessão.”
A projeção modesta de crescimento da China é um ponto de atenção, segundo os especialistas. O Banco do Brasil projeto o PIB chinês em 4,6%, um processo classificado pelos economistas como “desaceleração organizada” e que “surpreenderia se assistirmos um processo de desaceleração intenso e crise sistêmica que contamine as outras economias”, segundo Rebelo. Rogério Sobreira relembra que “a China lançou recentemente um enorme pacote de estímulos para evitar que a economia chegue ao patamar de crescimento de 4%”.

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Cenário otimista para o Brasil
Rebelo entende que o momento é de oportunidade: “Estamos em um cenário de novas tendências em que o Brasil tem uma vantagem significativa em relação ao resto do mundo. Pensando em um contexto de transição energética, temos tudo para surfar nessa onda e ser uma região receptora de investimentos. A médio e a longo prazo, a nossa visão é bastante otimista em relação a essas tendências”, analisa.
O Banco do Brasil projeta um crescimento de 3% do PIB ao final de 2024. "No Brasil, o crescimento tem sido uma das principais fontes de surpresas positivas. No entanto, sou cético em afirmar categoricamente que essa surpresa está ligada a um aumento do crescimento potencial do país. Acredito que esse desempenho está mais relacionado à recuperação pós-pandemia, quando a economia ainda operava com alta ociosidade. Daqui para frente, devemos ter menos surpresas positivas, já que a ociosidade no Brasil praticamente não existe mais", explica o economista.
Segundo Sobreira, “a economia parece estar encontrando um nível de acomodação da atividade após um forte crescimento no primeiro e no segundo trimestres do ano. A pressão de demanda agregada está refluindo. A discussão é o quanto esta redução no ritmo de crescimento irá colaborar para frear a inflação”. O economista-chefe do BNB também apontou que a região Nordeste tem registrado, neste ano, taxa de crescimento do PIB superior à do Brasil.
Política monetária do Banco Central
Outro ponto abordado foi a taxa básica de juros de 10,75% ao ano e atualmente em curva de crescimento. Para Rebelo, “as recentes ações do Banco Central já mostraram que a nova diretoria não será complacente com a inflação.” Ele também destaca que o ajuste fiscal ainda se encontra “muito ao lado da receita”. A opinião é compartilhada pelo economista-chefe do BNB: “A curva de juros volatilizou muito. O que parece é que o mercado está muito incerto a respeito do comportamento da política fiscal por conta do impacto que isso teria sobre a inflação, e por conseguinte sobre a necessidade de o Banco Central 'dobrar a aposta' da política monetária como forma de compensar os efeitos de uma política fiscal expansionista”, avalia Sobreira.
O diretor-executivo da ABDE, André Godoy, ressalta que o encontro faz parte da estratégia da associação para debater temas que norteiam a atuação do Sistema Nacional de Fomento: “O objetivo da reunião da Comissão da Associação Brasileira de Desenvolvimento é trazer a troca de experiências entre os associados da ABDE para ampliar o conhecimento que leve a um desenvolvimento econômico e social. Neste sentido, o encontro com a presença de dois economistas-chefe de duas grandes instituições financeiras trouxe reflexões importantes para analisar o cenário dos próximos anos, com projeções interessantes do mercado de crédito.”
