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Inflação americana e emprego no Brasil movimentam mercado 

Redação/Reuters

O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, que mede a inflação americana) subiu 0,1% em agosto após um ganho não revisado de 0,2% em julho, segundo dados divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) nesta sexta-feira (27). Economistas previam que a inflação do PCE avançaria 0,1%.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, a inflação do PCE aumentou 0,1% após um aumento não revisado de 0,2% em julho. Nos 12 meses até agosto, a inflação básica avançou 2,7% após subir 2,6% em julho. O banco central dos EUA rastreia as medidas de preços do PCE para atingir sua meta de inflação de 2%.

“Em conjunto com os indicadores robustos do PIB divulgados ontem (26), os números do PCE de agosto não devem alterar significativamente o plano de voo do FOMC para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em setembro”, afirma Danilo Igliori, economista chefe da Nomad. 

Pouco após os dados de hoje, o dólar caiu em relação a uma cesta de moedas. Já os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiram. Os mercados reagiram positivamente e, no momento, os contratos de juros apontam para uma redução de 0,75 ponto percentual até o final do ano, mas há uma divisão clara nas apostas para o próximo movimento em novembro, com um pouco mais de probabilidade em um corte de 0,50. “Independentemente dos ajustes mais táticos, o cenário vem confirmando o pouso suave e afastando as preocupações mais alarmantes sobre o enfraquecimento da atividade”, disse Igliori.


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Os investidores permaneceram esperançosos de outro corte pesado de taxa. Os mercados financeiros aumentaram as chances de um corte de meio ponto percentual na reunião de política do banco central dos EUA de 6 a 7 de novembro para cerca de 52%, de 50% antes, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

As chances de uma redução de 25 pontos-base na taxa foram reduzidas de 50% para aproximadamente 48% antes dos dados. Na semana passada, o Fed cortou sua taxa básica de juros overnight em 50 pontos-base para a faixa de 4,75% - 5%, a primeira redução nos custos de empréstimos desde 2020. 

Mercado de trabalho brasileiro

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Já internamente, o mercado digere os dados de emprego no Brasil. Foi divulgado na manhã desta sexta-feira pelo IBGE os dados da PNAD, que mostraram melhora mais uma vez nos dados de desocupação. A taxa de desocupados caiu de 7,1% no trimestre anterior para 6,6% atualmente. A taxa de subutilização também recuou para 16%.

“Os dados sugerem mais uma vez que a atividade doméstica segue em bom patamar e devemos ver sustentação no consumo das famílias. A Massa Salarial também apresentou alta e agora está em R$ 326,2 bilhões”, disse o economista André Perfeito. “A dúvida na mesa é a seguinte: será que esta energia que está sendo colocada no tecido econômico irá se traduzir de maneira virtuosa em mais investimentos, ou vai se degenerar em inflação?”

Para o economista, muitos olham com preocupação o mercado de trabalho apertado e veem nisso as raízes de inflação futura na esteira de serviços em alta (intensivos em mão de obra), contudo, os dados de hoje mostram estabilidade no Rendimento Médio Real Habitual, ou seja, apesar da queda do desemprego, isso não se traduziu em salários maiores em termos reais. “O mercado irá continuar a avaliar os dados com bastante conservadorismo, mas sem dúvida os números de hoje são benignos, seja pela queda do desemprego, seja pelo rendimento estável.”

Após os dados, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, passou a subir. Por volta das 12h18, o Ibov subia 0,51%, a 133.682 pontos. Já o Caged, que também mede o andamento do mercado formal, mas utiliza dados coletados do e-social, apontou a criação de 232.513 vagas de trabalho com carteira assinada no mês de agosto, variação de 0,49%.

“Os dados do CAGED também apontam para um mercado de trabalho bastante apertado. Apesar de ter sido superado pelas projeções, o saldo líquido de empregados foi de 232 mil, crescimento de 42 mil em relação à divulgação de julho”, disse José Alfaix, economista da Rio Bravo. “O setor de serviços foi responsável por 50% dos empregos cadastrados, mas o destaque se dá pelo crescimento do setor de produção industrial, que atingiu nesta divulgação 22% do resultado, com acréscimo de 51 mil empregados."

De janeiro a agosto, o emprego permaneceu positivo nos cinco grandes grupamentos econômicos e em todas as UFs. Para Sidney Lima, Analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, caso o cenário inflacionário demonstre controle, o mercado de trabalho pode continuar a expandir de forma sustentável, favorecendo o consumo e impulsionando setores diretamente ligados à economia doméstica, como o varejo e a indústria.