Haddad destaca “ótimo momento para crédito” e diz que regulação tratará bets “como cigarros”

O Brasil está vivendo um ótimo momento para crédito, segundo o ministro da Fazenda Fernando Haddad. Diante do sucesso de instrumentos como as debêntures incentivadas, o ministro citou outras oportunidades como crédito no mercado imobiliário.
“O Brasil é a lanterna do mundo em crédito imobiliário, temos 9% do PIB nisso. Tem uma avenida aí para andar e nós estamos começando. Obviamente, a Selic deu essa tropeçada agora, estávamos contando com uma Selic um pouco menor, mas quando ela estiver em um dígito, vamos montar uma operação, queremos um mercado secundário de títulos imobiliários. Essa curva precisa ser construída”, disse Haddad durante o Safra Conference 2024, nesta quarta-feira (25).
O ministro ressaltou, durante sua fala, a importância da educação e da infraestrutura para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), e citou mecanismos como as debêntures incentivadas, que tiveram mais de R$ 250 bilhões de emissões em 2023, segundo o Safra.
Sobre as perspectivas econômicas, Haddad também mencionou no início do discurso que o Brasil tem se saído muito bem, e que “não vê razão para o país não crescer acima de 2,5% nos quatro anos de mandato”.
“É um momento curioso, de otimismo para a economia do país, sobretudo no mundo. Várias agências de risco revisando nossa nota de crédito, as três. Há uma expectativa bem fundamentada de que isso vai continuar acontecendo este ano”, disse, citando a revisão do PIB feita pelo FMI. “Não vejo razão para o Brasil crescer nem muito acima nem muito abaixo da média mundial. Penso que tem todas as condições de crescer acima de 2,5% nos quatro anos de mandato. Na média deve dar mais.”

PUBLICIDADE
Aprenda a proteger e gerir seus ativos digitais em um cenário tributário complexo no curso Tributação e Sucessão de Bens
O ministro comentou que este é o segundo ano em que o Brasil está “derrubando a inflação”, que será mais baixa este ano do que no anterior, e que não há motivos para acreditar que o indicador de 2025 não será mais baixo que o de 2024, a julgar, inclusive, pelos dados que estão sendo divulgados agora.
“Obviamente, muita coisa inspira cuidado. A questão climática, por exemplo, é um desafio. Alimento e energia são variáveis fundamentais, mas estamos tomando providências para que essas coisas sejam superadas com o menor custo possível”, disse Haddad, citando o crescimento do país acima do esperado, inflação em queda e a possibilidade de melhora do mercado de trabalho.
De olho nas bets
Durante o evento, o ministro também comentou o problema com as bets e os esforços governamentais para taxar e regulamentar o segmento.
“Toda regulamentação é para tratar os jogos como se trata cigarro. Vamos ter no ministério da Fazenda, no sistema de controle, primeiro, vamos impedir a pessoa de apostar com cartão de crédito; vamos ter CPF por CPF de quem está apostando”, disse. “Vamos ter um sistema de alerta em relação às pessoas que apresentarem já um certo tipo de dependência no jogo e disciplinando com o ministério da Saúde como tratar essa dependência, porque ela vai acontecer. Já aconteceu nesses cinco anos que ficou sem regulação.”
O objetivo do governo federal é tributar o segmento e “tratar das pessoas”, segundo o ministro, além de intensificar esforços para evitar uma publicidade ostensiva dos chamados “cassinos online”.
Leia Mais: Lições das bets que podem ajudar o mercado de investimentos a dar novo salto
