Dados do payroll reforçam apostas de corte maior nos juros dos EUA
O número de empregos criados nos Estados Unidos, divulgado no relatório payroll nesta sexta-feira (06), aumentou menos do que o esperado em agosto. Em contrapartida, houve uma queda na taxa de desemprego para 4,2% no período, que pode sugerir que a desaceleração ordenada do mercado de trabalho continua.
As vagas criadas na economia americana, excluídas as do setor agrícola, aumentaram em 142 mil no mês passado após um aumento revisado para baixo de 89 mil em julho, disse o Bureau of Labor Statistics do Departamento do Trabalho. Economistas pesquisados pela Reuters previam que as folhas de pagamento aumentariam em 160 mil vagas após um ganho de 114 mil em julho.
“Hoje finalmente saiu o Payroll, o dado mais importante para o Fed. Foram criadas 142 mil vagas — bem abaixo das expectativas, que eram de 164 mil. Isso mostra que o mercado de trabalho norte-americano vem perdendo força”, comenta Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, em relatório. “A taxa de desemprego baixou para 4,2%, dentro do esperado. Com esses dados cravo um corte de 0,25% na próxima reunião do FOMC, no dia 18 de setembro.”
Os dados abaixo da expectativa reforçam a chance de corte de juros na próxima reunião do Fed, dia 18 de setembro. A dúvida é se o corte será de 0,25 p.p ou 0,50 p.p. Enquanto no Brasil, segundo a Ourominas, a perspectiva é que a taxa de juros deve se manter em 10,5% ou subir 0,25% no dia 18.
“Nos EUA, espera-se um corte de juros de 0,25 ponto ou 0,5 pp. Isso torna o diferencial de juros pró-Brasil mais atrativo, fortalecendo o real. No entanto, fatores como o fiscal doméstico e questões globais, como as eleições nos EUA e a situação na China, podem afetar essa valorização”, comenta Gusmão.
Os contratos futuros nos EUA continuam indicando uma possibilidade relevante de cortes mais fortes na taxa básica por lá na reunião de setembro. Hoje, por volta das 11h42, o Nasdaq Composite caía 1,79%, enquanto o Dow Jones Industrial Average caía 0,45% e o S&P 500 despencava 1,15%. No Brasil, o Ibovespa operava com queda de 0,37%. Após os dados do payroll, segundo o CME Group, a probabilidade de um corte de 50 p.b passou para 47%, que ontem havia fechado em 40%.

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“Levando em conta o estilo da atual diretoria do FED me parece que irão adotar uma postura mais cautelosa, afinal não precisam sair correndo cortando a taxa básica por lá. Muito provavelmente irão cortar 25 pontos base e isso irá representar uma queda na parte mais longa da curva, ou seja, o FED corta os juros curtos e o mercado cortar os juros longos”, aponta o economista André Perfeito.
Para o economista, se os juros longos nos EUA caírem mais, o efeito provável é que os juros mais longos caiam aqui no Brasil também, na esteira da arbitragem. “Logo, há uma oportunidade fortuita de ganho na marcação a mercado de alguns títulos, mas sugerimos cautela nessa operação, há muitas dúvidas sobre o outro lado da equação, a saber: o que o Copom irá de fato fazer.”
Os ganhos médios por hora aumentaram 0,4% em agosto, após aumento de 0,2% em julho. Os salários subiram 3,8% ano a ano, após avançar 3,6% em julho. O crescimento salarial ainda sólido continua a sustentar a economia por meio dos gastos do consumidor.
“Assim que o dado saiu, o mercado ficou bem nervoso porque vieram dados divergentes. A gente teve o payroll abaixo, mas ao mesmo tempo, o salário médio por hora veio acima do esperado levemente. A taxa de desemprego veio levemente abaixo do esperado, então um desemprego menor e um salário maior”, aponta Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos. “Isso não indica redução de juros no curto prazo, mas, como o payroll, que é o principal dado, veio bem abaixo, para o mercado, foi confirmada a desaceleração rápida do mercado de trabalho nos EUA e, com isso, acredito que o Fed possivelmente vai conseguir reduzir os juros nas próximas três decisões, que é o esperado, e isso deve se manter.”


