Taxas de títulos do Tesouro sobem e investidor estrangeiro aumenta participação
Diante de um cenário de expectativa de flexibilização da política monetária nos Estados Unidos, taxas de juros das Treasuries recuando e bolsas registrando recordes no país, enquanto ocorria uma deterioração da percepção de risco na região da América Latina em junho, houve uma elevação da curva de juros na região, incluindo no Brasil, ao longo do período, o que atraiu muitos investidores, como o estrangeiro, fazendo o estoque de títulos da Dívida Pública Federal (DPF) encerrar o mês em R$ 7,067 trilhões, 2,25% superior ao mês anterior.
“Acompanhando essa subida da curva de juros, tivemos elevação da taxa também nos títulos, podemos pegar como referência, por exemplo, a LTN de 72 meses, que saiu de 11,89% ao final de maio, alcançando 12,51% nos nossos leilões ao final de junho”, comentou Helano Borges, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, em coletiva de imprensa. “De maneira análoga, a gente pode pegar a taxa da NTN-B de 40 anos, um benchmark de referência que saiu de 6,18% ao ano, a taxa, e alcançou 6,50% ao final de junho.”
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Em relação às operações do mercado primário, o mês foi marcado por um volume menor de emissões, em decorrência do ambiente mais incerto. Com isso, o Tesouro reduziu a quantidade de emissões, de 94,54 bilhões, com R$ 12,33 bi de resgates, totalizando uma emissão líquida de R$ 82,2 bi da Dívida Pública Federal (DPF).
“Do lado das emissões, eu chamo atenção para uma característica que a gente tem observado ao longo deste ano, uma emissão maior de taxa flutuante, as nossas LFTs, que representaram R$ 49,64 bilhões, totalizando 59,6% das emissões, e também para a emissão externa que a gente fez, que totalizou R$ 11,3 bilhões”, apontou Borges.

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O estoque da DPF saiu de R$ 3,9 trilhões e alcançou R$ 7,7 trilhões, aumento que decorreu das emissões líquidas e da apropriação de juros. Da composição no período, houve uma estabilidade na proporção de títulos pré-fixados, uma pequena redução na participação dos índices de preço e na da taxa flutuante, em função do aumento da participação da parte cambial, que ocorreu tanto em razão da emissão realizada quanto da desvalorização cambial observada no período.
Participação dos estrangeiros nos títulos aumenta
Em relação aos detentores da Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), houve um aumento da participação das instituições financeiras, que saíram de 30,4% para 30,7% em junho, uma redução da participação dos fundos, que saíram de 22,7% para 22%, um aumento da previdência, que saiu de 22,9% para 23,1%, e um aumento também dos não-residentes, que passaram de 9,8% para 10%.
“O fluxo anual de não-residentes alcançou R$ 83,5 bilhões em 2024, já superando a marca do fluxo observada ao longo do ano de 2023, o que denota uma percepção positiva dos não-residentes”, destacou Borges.
Segundo o executivo, há uma certa divergência de apetite ao risco do investidor doméstico e do investidor estrangeiro. No mês, a participação desse investidor estrangeiro totaliza R$ 30,6 bilhões.
“Os fundamentos da economia brasileira como um todo se mostram consistentes. Temos uma inflação baixa, um fiscal sinalizando uma consolidação, indicadores de balanço de pagamentos bastante saudáveis. Há um conjunto de fundamentos econômicos que trazem essa percepção de segurança para o investidor não-residente, e isso se refletiu no aumento do fluxo deles no mês, mesmo em um ambiente em que a nossa curva de juros doméstica apresentou elevação no mês de junho.”
Já o perfil de vencimento da DPF apresentou uma pequena redução do percentual vincendo em 12 meses, que passou de 20,8% para 20,7%, o que se deve principalmente ao baixo volume realizado de emissões mais curtas. No período, houve um aumento da participação do percentual vincendo acima de cinco anos, de 24,1% para 24,5%, também em função das emissões, principalmente de LFTs, que o Tesouro tem realizado com prazo maior que cinco anos.
