Dólar e juros sobem com efeito Trump no radar
O real iniciou a semana com desvalorização em relação ao dólar, enquanto os juros subiram em toda a curva, refletindo a tentativa de assassinato ao ex-presidente Donald Trump no fim de semana, já que em um cenário como este os investidores preferem segurança aos ativos de risco.
De modo geral, o dólar subiu no mundo inteiro, diante do aumento das chances de Trump ser o próximo presidente dos Estados Unidos, em eleição que vai acontecer em novembro contra Joe Biden. Caso o ex-presidente vença a eleição, há uma expectativa no mercado de que menos impostos serão cobrados e que a economia americana se torne mais protecionista.
Internamente, no entanto, o efeito Trump parece ser algo pontual, com os investidores focados nos problemas internos, como a questão fiscal, que deve ter algum desdobramento esta semana, além da votação da desoneração da Folha de Pagamentos, de acordo com especialistas consultados pela Capital Aberto.
“É claro que, quanto maior a chance dele (Trump) vencer, mais peso vão ter as suas palavras. Ele tende a ser mais protecionista, ao mesmo tempo também gosta de fomentar crescimento, então isso poderia gerar uma política comercial mais fechada e uma política fiscal mais expansionista”, explica o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti.
Na visão do economista, uma política fiscal expansionista de Trump deve pressionar as taxas de juros nos EUA, principalmente as mais longas, podendo ter alguma pressão aqui também. “Em função disso, a gente está tendo essas pressões pontuais. Mas, por hora, parece ser muito mais uma questão pontual.”

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Para o diretor de Câmbio da Ourominas, Elson Gusmão,com o Trump eleito e cobrando menos impostos, as taxas de juros devem ser mantidas em patamar alto, já que com a redução de impostos o déficit orçamentário americano deve aumentar, pressionando, assim, a inflação, uma vez que os produtos importados ficarão mais caros e os preços locais tendem a subir.
Nesta segunda-feira (15), o dólar à vista subiu 0,26%, cotado a R$ 5,4451, enquanto o futuro encerrou em alta de 0,17%, a R$ 5,4520. Já o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, tinha alta de 0,13%, a 104,225 pontos.
No mercado de juros, a taxa do contrato do DI com vencimento em janeiro de 2025 caiu 1,9 ponto-base, para 10,575%, enquanto a DI com vencimento em 2026 subiu 0,4 ponto-base, a 11,145%, a do DI com vencimento em 2027 avançou 5,7 pontos-base, para 11,410%, e a taxa com vencimento em 2029 teve elevação de 7,3 pontos-base, 11,740%. Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos, referência no mercado mundial, passou de 4,187% para 4,229%.
E o curto prazo?
Por aqui, a expectativa é que tanto o dólar quanto os juros sofram algum tipo de pressão no curto prazo, mas voltado à percepção local. Na avaliação do economista da Guide, o balanço de prêmio de risco deve ficar em cima dos ativos locais do que a fatores internacionais. “Essa questão do Trump é pontual, pode gerar alguma volatilidade adicional, mas acho que não é o principal.” Já Gusmão, da Ourominas, vê o mercado reagindo a cada fato novo, tentando adivinhar quais serão os próximos passos do dólar.


