Com apagão cibernético, concorrência da Crowdstrike deve sair ganhando
Em um dia fraco em relação à dados macroeconômicos, os holofotes se voltaram às notícias de uma falha de sistema na Crowdstrike, empresa de cibersegurança, nesta sexta-feira (19) que está afetando várias companhias de importância mundial, como a Microsoft, levando a um caso sem precedentes. Enquanto as ações das duas empresas, principalmente a Crowdstrike, operam em queda, quem deve se beneficiar do apagão cibernético é a concorrência no oferecimento de serviços de cibersegurança e alguns especuladores cripto.
A Crowstrike fornece soluções antivírus conectadas à internet e que utilizam machine learning e, por conta disso, há updates que acontecem o tempo todo. A empresa realizou um update, ao longo da madrugada, que acabou corrompendo o sistema operacional Windows, da Microsoft. Isso afetou pessoas do mundo todo, principalmente as empresas, desde companhias aéreas, como a Delta, até serviços de emergência, como, por exemplo, o 911 do Alasca, do Arizona, e vários bancos, que pararam de funcionar. No Brasil, o aplicativo do Bradesco ficou fora do ar toda a manhã.
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“E, por conta disso, está tendo esse sell-off na ação, principalmente, da CrowdStrike, é totalmente justificado. Acho que o negócio de serviço de segurança é um que a reputação é muito importante, nós aqui da Arbor não somos afetados, a gente já foi cliente da CrowdStrike no passado, mas não atualmente”, comenta Matheus Popst, sócio da gestora Arbor Capital. “As nossas ações também não estão sendo muito impactadas, acho que uma coisa que vale chamar atenção é que possivelmente quem pode ganhar com isso é principalmente a Sentinel One, que é a principal concorrente da CrowdStrike, mas também você tem outras empresas como, por exemplo, a própria Microsoft, a Trend Micro, que é uma empresa japonesa, que podem acabar ganhando com essa reputação.”
Segundo Popst, a Microsoft tem um negócio de cyber security bastante relevante, incluindo o de endpoint security, o Microsoft Defender. “Pode ser que as empresas passem a escolher competidores da Crowdstrike, incluindo a Microsoft”.
Por volta das 12h11, as ações da Crowdstrike operavam em queda de 8,40%, negociadas a US$ 314,24. Já as da Microsoft caíam cerca de 0,46%, a R$ 438,46. Enquanto isso, as ações da Sentinel One subiam cerca de 3,70%, a US$ 20,88.

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Do ponto de vista da Arbor, que possui papéis como Microsoft, Alphabet e Amazon no portfólio do fundo Arbor FIC, o recuo da Microsoft hoje é absolutamente natural e impossível de ser atribuída à queda do output. A big tech também informou nesta tarde, em um post no X, que todos os aplicativos e serviços do Microsoft 365 foram restaurados.
Mas as empresas estrangeiras não foram as únicas afetadas. Por aqui, bancos como o Bradesco também sofreram com uma queda nos canais. "O Bradesco informa que seus canais digitais voltaram a operar normalmente e acrescenta que, eventualmente, podem ocorrer registros isolados de intermitência. Em breve, todos os acessos estarão estáveis", disse o Bradesco, em nota no começo da tarde.
Mercado cripto afetado
A falha também afetou brevemente o mercado de criptomoedas e levou esses ativos a operarem em leve queda no início do dia, mas que parecem já ter se recuperado.
Para gestoras cripto, como a QR Asset, o impacto foi mínimo. “A recente ocorrência do apagão cibernético não afetou em nada as operações da nossa gestora, nem de nossos fornecedores. No máximo, enfrentamos algumas interrupções na comunicação via ferramentas como Teams e outras plataformas similares”, disse Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset Management. “Se alguma operação envolvendo protocolos de cripto usa serviços de computação em nuvem que foram afetados, talvez tenham sofrido algum impacto, mas, de maneira geral, não observamos nada significativo no mercado de cripto. Nossa avaliação é que o episódio teve um efeito mínimo e local.”
Segundo Fleury, o apagão cibernético de hoje representa um risco muito baixo para os ativos cripto, citando que o preço do Bitcoin e de outros ativos está subindo hoje. “O impacto no mercado como um todo é praticamente nulo, o que pode ser verificado pelo comportamento dos preços. Esse episódio parece ser algo localizado e pontual, sem potencial de afetar o mercado de maneira significativa. Não vemos ninguém com possibilidade de tirar proveito desse caos.”
Enquanto isso, especuladores cripto aproveitaram o momento para lançar novos tokens relacionados ao evento, as chamadas “memecoins”, estratégia comum desse mercado.
De acordo com dados da DEXTools e DEXScreener, compilados pelo CoinDesk, uma onda desses tokens "meme" relacionados a empresas afetadas como a própria CrowdStrike e a Microsoft inundou o mercado de criptomoedas. Criados na plataforma Pump.Fun, baseada em Solana, alguns desses tokens "meme" já alcançaram liquidez de até US$ 50 mil em stablecoins e valorizações de mercado de até US$ 1 milhão, pelo menos no papel.


