Boletim Focus volta a prever inflação na meta depois de mais de um ano
A mediana das previsões de inflação para este ano voltou a ficar dentro da meta pela primeira vez desde junho do ano passado.
Segundo o Boletim Focus, as instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central estimam um IPCA de 4,75% no final do ano.
O valor está no limite do intervalo de variação da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3,25%, com margem de 1,5 ponto percentual.
Entre as instituições que o BC classifica como Top 5 em relação à precisão das projeções, o índice é ainda menor: 4,69%.
Na semana passada, o mercado projetava uma inflação anual de 4,86% para 2023.
Para Jonas Carvalho, fundador da Hike Capital, "essas revisões provavelmente refletem a inflação atual menor do que o esperado e a alta probabilidade de uma redução nos preços da gasolina."
O IPCA de setembro, divulgado na semana passada, foi 0,26% – abaixo da previsão de 0,33% do mercado.
"Todos os preços estão em queda, exceto os preços administrados, que são controlados pelo governo. É um preço sobre o qual é mais fácil agir", completou.
Inflação na meta

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Para os próximos anos, quando a meta de inflação passa a ser de 3%, as previsões também indicam índices acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de variação: 3,88% para 2024, e 3,5% para 2025 e 2026.
Na visão expressa em nota do banco americano Goldman Sachs, a previsão de inflação acima do centro da meta para os próximos anos “provavelmente reflete a expectativa [do mercado] de que o governo terá dificuldades para atingir as metas fiscais anunciadas e estará inclinado a tolerar uma inflação acima da meta”.
O banco também acredita que a projeção é influenciada pela crença do mercado de que “as próximas mudanças na composição do Copom podem torná-lo mais favorável a políticas monetárias mais flexíveis”.
As projeções do Focus para outros indicadores importantes permanecem sem alterações em relação à semana passada.
A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2023 permaneceu em 2,92%, segundo o Focus.
Para 2024, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se em 1,50%. Para 2025, ficou parada em 1,90%.
Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas manteve-se em 11,75% no fim de 2023, 9,00% no de 2024 e 8,50% em 2025.
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