Primeiras impressões
O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ficou completo com a chegada do diretor Henrique Machado. Nomeado em julho, o advogado tomou posse no último dia 30. Seu mandato promete ser desafiador. Machado herdou o estoque de processos da diretora Luciana Dias, sua antecessora. No pacote estão casos emblemáticos, como os que apuram a responsabilidade do empresário Eike Batista como controlador e chairman das empresas do Grupo X e as irregularidades contábeis do Panamericano — a instituição, hoje denominada Banco Pan, quase foi à bancarrota depois que o Banco Central (BC) descobriu, em 2010, que seu balanço era inflado por carteiras de crédito que não lhe pertenciam mais. A seguir, os principais trechos de entrevista concedida pelo novo diretor à SELETAS:
Experiência
“Sou advogado e procurador do Banco Central. Fui para o Ministério Público Federal, onde passei dois anos, e voltei para o BC em 2009, como executivo. A diretoria do BC e o Conselho Monetário Nacional têm uma frequência grande de reuniões. Em média, uma a cada dois dias úteis — incluindo os encontros da comissão da moeda do crédito e do comitê de regulação e supervisão dos mercados financeiros. Desde 2009, participo de todas as reuniões, o que gerou, a meu ver, uma experiência única para discussão de temas importantes do sistema financeiro nacional. A repercussão em torno da minha indicação [houve críticas relacionadas à falta de experiência do novo diretor no campo da regulação do mercado de capitais] me fez refletir: quem teria hoje no mercado uma experiência semelhante à minha? Quem participou, nos últimos sete anos, desde a crise de 2008 e a quebra do Lehmann Brothers, com diversas formações de governos e ministérios, de todas as reuniões técnicas do BC que antecederam as tomadas de decisões?”Macro versus micro
“Já me perguntaram se estar no Banco Central era mais simples, já que macroeconomia é mais fácil. Primeiro, o Banco Central não é só macroeconomia: tem um mercado para supervisionar e regular, assim como a CVM. As questões ligadas às funções de regulador e fiscalizador são as mesmas, guardadas as proporções dos respectivos mercados. O Coremec [Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização] é um fórum em que nitidamente só se discute os assuntos de interesse comum dos reguladores [Machado foi secretário executivo no órgão]. Todas as discussões dos últimos sete anos são de interesse da CVM. O que vi aqui é que os diretores da CVM têm uma carga bastante grande de processos e muitos preferem não participar das reuniões do Coremec porque focam na agenda particular. Mas, considerando minha experiência, tendo a continuar participando dos encontros, agora pelo lado de cá. A primeira já está agendada e será agora em setembro.”
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