Sem traça (Klabin)

No último trimestre do ano, a papeleira apresentou evolução de 15% no Ebitda ajustado, na comparação anual, mesmo com volume de vendas 7% menor. A receita líquida no período avançou 2%. Segundo Victor Penna, analista da BB Investimentos, isso se explica, sobretudo, pelo direcionamento de parte das vendas ao exterior. As exportações têm se beneficiado da valorização do dólar nos últimos meses e do controle eficiente de custos que a empresa vem realizando nos últimos anos.
A miscelânea de produtos, que inclui diferentes tipos de papel, como o cartão e o papelão ondulado, também garantiu vendas estáveis num cenário de menor demanda no mercado doméstico, avalia Penna. “A estratégia traz resiliência ao negócio em períodos mais adversos, como o atual.” Com avanço de apenas 0,15%, a indústria de papel ondulado, um dos maiores clientes da Klabin, ficou praticamente estagnada no ano passado, conforme a ABPO, associação do setor. Penna destaca, porém, que parte expressiva das vendas da companhia é direcionada à produção de embalagens para produtos essenciais, como alimentos e medicamentos, que são mais resistentes à desaceleração da economia e devem crescer acima disso.

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Na opinião de Elad Victor Revi, analista da corretora Spinelli, apesar do prospecto conservador traçado pela ABPO, a papeleira pode se beneficiar de uma demanda crescente a partir do segundo semestre do ano, à medida que a situação econômica avance. Um desafio, entretanto, será equilibrar o impacto negativo da valorização do dólar nas despesas financeiras, uma vez que a dívida da empresa está atrelada à moeda americana, diz ele.
A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.
