“É preciso confiar no futuro”

Há poucas pessoas físicas negociando ações na bolsa de valores. Quão importantes são esses investidores para o desenvolvimento do mercado de capitais? A pessoa física é fundamental para dar profundidade ao mercado. Em sociedades mais modernas, ela diversifica seu portfólio, em vez de deixar o dinheiro em conta corrente e poupança. Isso é bom para a sociedade, pois aumenta o conhecimento do cidadão em relação às companhias. O problema no Brasil é que a pessoas físicas são pouco informadas sobre investimentos. Deveria haver mais programas educativos, criados para ajudá-las a compreender a bolsa e as empresas. As empresas também podem participar desse processo, melhorando a forma de se comunicar com os investidores, em linguagem clara e acessível.

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A MP 651 busca estimular a listagem de empresas médias oferecendo incentivo fiscal ao investidor. Qual é sua opinião? Gostei muito. Esse benefício para pequenas e médias empresas é algo que vai se pagar no futuro.
O brasileiro poupa pouco. Nossa taxa de poupança é baixa e vem caindo — em 2010 era de 19%; hoje é de 15%. Noutros países, como a Coreia do Sul, chega a 38%. O que podemos fazer para reverter esse quadro? Estamos predispostos a achar que a economia cresce com incentivo ao consumo. Isso está errado e só funciona no curto prazo. O ideal seria moderar o consumo e estimular a poupança. Ajudaria se os impostos sobre ganhos de capital fossem reduzidos.
Como o senhor avalia o arcabouço regulatório e legislativo brasileiro? De forma geral, temos que caminhar para a simplificação. Diminuir a papelada, tornar o processo de pagamento de impostos mais fácil. Descomplicar a vida dos investidores. Falando de regulação do mercado de capitais, tenho receio de como o minoritário é tratado. Sinto a necessidade de mais mecanismos de proteção ao investidor. Acabar com a existência de duas classes de ações seria complicado no momento, mas é algo que devemos pensar para o longo prazo. Também acho importante que os investidores e os acionistas participem mais da administração das companhias Esse envolvimento tende a melhorar a gestão, a aumentar o profissionalismo e a estimular a inovação.
