Assimetria regulatória entre grandes bancos e fintechs é foco de atenção do BC
Em evento promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados de Regulação do Sistema Financeiro Nacional (NEASF), da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que os requisitos de capital são um dos pontos de assimetria regulatória que vêm atraindo a atenção da instituição, que se preocupa em harmonizar as exigências quando os riscos são semelhantes. Segundo Campos Neto, o BC estuda o assunto e deve ajustar a regulação com o passar do tempo, pois regras que ajudaram a estimular a competição podem não funcionar da mesma forma à medida que o mercado se desenvolve.
“De forma geral, as exigências de capital aplicáveis a instituições financeiras são substancialmente maiores do que para instituições de pagamento, por conta dos princípios da Basiléia e consequente risco sistêmico”, observam os advogados Felipe Hanszmann e Caio Brandão Teixeira Leite, respectivamente sócio e associado do Vieira Rezende Advogados. “Mas é importante que normas para o setor sejam introduzidas com o objetivo de garantir uma maior segurança para os agentes de mercado, e não como uma ferramenta de desincentivo ao avanço”, ponderam.
A seguir, os advogados abordam as diferenças regulatórias entre instituições financeiras e fintechs e como o Banco Central pode incentivar a inovação e a competição por meio dessas startups e, ao mesmo tempo, garantir a solidez do sistema financeiro.
Quais são as principais diferenças entre as instituições financeiras e as instituições de pagamento (fintechs)? Quais serviços as instituições de pagamento podem prestar?
Felipe Hanszmann e Caio Brandão Teixeira Leite: Instituição financeira é uma classificação genérica e compreende todos os agentes que intermedeiam a relação entre o consumidor final e o mercado financeiro, possuindo funções que vão desde a transação de ativos até o financiamento, incluindo-se nessa categoria os bancos tradicionais e de investimento, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários, etc. Já as chamadas fintechs são empresas, em geral startups, que desenvolvem serviço inovador no setor financeiro, aliando necessidades do mercado a soluções tecnológicas de ponta, diferenciando-se das demais instituições financeiras devido ao foco em áreas específicas (como as de crédito ou de pagamento). Ou seja, o conceito de fintechs é mais amplo, podendo englobar diversas entidades, dentre as quais as instituições de pagamento, que, embora não componham formalmente o Sistema Financeiro Nacional (SFN), são fiscalizadas pelo Banco Central (BC) e estão submetidas à regulação do Conselho Monetário Nacional (CMN). De forma geral, as instituições de pagamento viabilizam a compra e venda e a movimentação de recursos, mas não podem conceder empréstimos e financiamentos a seus clientes.
PUBLICIDADE
