RB Asset levanta R$ 70 milhões para projetos de desenvolvimento imobiliário em SP

Entre mudança de nome, chegada e saída de sócios, criação de verticais e novo desmembramento, são 18 anos de estrada sem que a essência que deu origem à RB Asset se perdesse – foco no segmento imobiliário e aposta na desintermediação bancária. Os dois primeiros fundos imobiliários (FII) da casa, ainda como uma área dentro da Rio Bravo, são de 2007. Na “longa história curta”, como resume Marcelo Michaluá: sócio fundador e co-CEO da RB Asset, teve entrada da Lanx como sócia, mudança do nome para RB Capital, fim da sociedade, depois venda integral para o conglomerado japonês Orix e recompra pelos sócios em 2024. “Sempre permanecemos (sócios) na companhia e em março do ano passado quando recompramos tínhamos asset (RB Asset) e DTVM (RB Investimentos). Decidimos separar os negócios e a sociedade. Hoje, são franquias da holding RB Capital.”
A RB Asset, sob comando de Michaluá e de Regis Dall'Agnese- sócio-diretor de investimentos e Co-CEO da gestora - tem além dos fundos imobiliários de desenvolvimento residencial – core da casa – uma estratégia de consignado que levou à criação, no ano passado, da Simplix, focada no crédito consignado. A casa acaba de captar R$ 70 milhões para um fundo novo: “já amarramos um projeto em um bairro nobre de São Paulo e estamos com um pipeline com outros projetos para escolher”. Na entrevista ao Além do Capital, Marcelo Michaluá conta a história da casa focada em “prover funding para o setor imobiliário” e fala sobre a estratégia voltada ao crédito consignado com a criação da Simplix.
Acompanhe:

Como a RB Asset se diferencia? Quais são os principais atributos da gestora e seu foco de atuação?
Primeiro é escolher as teses, as estratégias corretas e atuar com profundidade. Profundidade de originar ativos, poder conduzir um pedaço do funding para esses setores através de operações de mercado de capitais. São setores, tradicionalmente, atendidos por bancos dentro da nossa tese de desintermediação. É onde conseguimos ter profundidade, também no nosso ponto de vista, de gestão, de conhecimento, subscrição de risco e estruturação de produtos.O setor imobiliário sempre foi a nossa escolha, desde o começo.Hoje temos um histórico extraordinário como gestor de fundos imobiliários, com destaque para o residencial. É o segmento do mercado que tem tamanho, falando de Brasil que é altamente demandador de capital. Tanto para o incorporador quanto para o financiamento, a construção, você tem a escassez do sistema de poupança, que já é um problema estrutural. O mercado de capitais hoje está complementando a poupança. Era a nossa tese desde o começo e ela está se confirmando.

Nesta área do setor imobiliário, no residencial, de quantos projetos já participaram, fornecendo capital, e como se dá a atuação da RB Asset?
Temos fundos de desenvolvimento. Nós aqui já fizemos mais de 150 projetos residenciais. Em três variáveis. A gente já fez 55 projetos sob permuta financeira, 50 projetos de financiamento à construção, com o plano empresário, e 45 projetos de equity, quando entramos nas SPEs. Esses 150 projetos foram feitos com cerca de 50 incorporadores. Nós temos a experiência, praticamente, de todas as capitais brasileiras, de todas as regiões. Este pilar é o nosso carro-chefe.

Neste pilar, de fundos de desenvolvimento imobiliário, a RB Asset estava com uma operação na rua. Qual foi o resultado?
Nós acabamos de concluir a captação do nosso oitavo fundo de desenvolvimento residencial, no meio deste turbilhão, de juro algo e ninguém querendo correr risco. E conseguimos por causa da nossa franquia, do relacionamento com os originadores. Conseguimos R$ 70 milhões, mas queríamos levantar mais, porém as condições do mercado dificultam. Já amarramos um projeto em um bairro nobre de São Paulo. Estamos com um pipeline com outros projetos para escolher e alocar o restante do capital e pretendemos fazer um potencial follow-on neste mesmo fundo, que é fechado e com prazo definido, de sete anos. Nos fundos imobiliários, o nosso carro-chefe é fundo de desenvolvimento. Hoje, em São Paulo, a gente tem 25 projetos, com 13 incorporadores nos dois fundos anteriores, que ainda existem, mas estão 100% investidos. Agora teremos mais um.

Além dos fundos de desenvolvimento imobiliário, quais outras verticais a casa trabalha e as teses que segue?
A nossa segunda vertical é o que a gente chama de estratégias mais líquidas dentro do mundo dos ilíquidos. A primeira grande tese são fundos de debênture incentivada. Fomos um dos primeiros a ter o produto, em 2016. Trata-se de um fundo aberto com debênture incentivada, D30, que tem 100% de hedge. Os papéis de infraestrutura são emitidos basicamente com IPCA+ e por 15, 20 anos. A gente entra nos papéis já com um derivativo, o DAP, que transforma o IPCA em CDI. É um fundo com R$ 1,2 bilhão e vendido nas plataformas, menos a da XP, que a gente ainda está trabalhando. Agora tomamos a iniciativa de fazer um fundo de debênture de infra, mas fechado. A Warren captou R$ 25 milhões para começar a construir a trajetória do fundo fechado, que espelha a estratégia do aberto. O fundo original tem 90 ativos. A gente sabe subscrever esse tipo de risco e é onde começamos nos diferenciar no spread. A gente chega a girar a carteira quase oito vezes ao ano, usando o secundário. Temos ainda um FOF de FII, que compra cotas de outros fundos no secundário também.


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No universo de fundos imobiliários, tem ocorrido fusão de produtos buscando maior escala, redução de custo. Tem este movimento na RB?
Nós temos um fundo de CRI, que é pequeno. Quando criamos o fundo, logo depois começou o processo inflacionário da pandemia, os juros subiram. O produto captou pouco. Estamos agora em um evento de reestruturação. A gente quer juntar esses dois fundos, o de CRI e o FOF, para montar um produto multiestratégia, mais flexível, mais moderno e aberto. A gente acha que tem um racional. Muitos gestores fizeram desta forma. Juntos, os fundos devem ter perto de R$ 110 milhões de PL.

Muitos analistas destacam potencial importante para os produtos cetipados avançarem no segmento de fundos imobiliários. Você concorda com esta tese?
Fundo imobiliário listado tem uma característica mais de varejo, para o pequeno investidor ter a liquidez, entrar e sair. O fundo cetipado é para aquele tipo de investidor mais profissional, que não quer ver a cota oscilando no secundário por um movimento de compra e venda de varejo. Ele não se importa de que não exista um secundário. Você até vende a cota, mas tem que achar a contraparte. São produto para públicos diferentes. O que prejudica o mercado é taxa de juros. O investidor de varejo olha o rendimento e a isenção, mas quando o CDI sai de 8% para 15%, ele vende as cotas e coloca no CDI, e os fundos são reprecificados. Ter um mercado secundário é uma característica extraordinária do produto, mas as decisões do investidor não tem a ver com deterioração do portfólio, um relatório ruim do gestor. Tem fundos extraordinários do ponto de vista da qualidade de ativo e bastante descontados. Nosso maior competidor é o Banco Central, que faz o papel dele, reativo à política fiscal e ao processo inflacionário.

A última estratégia da RB foi entrar em crédito consignado. Quais produtos vocês têm operado e o que temos de novidade?
É um mercado de centenas de bilhões de reais. Tem INSS, FGTS, o consignado federal, Forças Armadas. E sempre esteve no balanço dos bancos. Começamos a estudar esse mercado em 2018, 2019, criar a esteira, os controles do que é consignado. Já tínhamos centenas de milhões de dólares de potencial commitment para essa classe de ativo, mas veio a pandemia e congelou tudo. Tínhamos contratado gente, acordos de originação no campo com correspondentes bancários e tal. Bem, a pandemia veio, mas como já tínhamos tudo preparado, falamos com a XP, que nos propôs montar um FIDC. Nosso fundo, de 2020, reabriu o mercado de FIDC. Era um fundo para captar R$ 300 milhões, captou R$ 1,3 bilhão. Nós usamos a nossa expertise de montar e subscrever os riscos, de securitização, que o FIDC permite. Os maiores institucionais do Brasil entraram nesse fundo. E na sequência dele foi captado um outro FIDC, do cartão benefício, que é aquela margem de consignação dentro do INSS. Captamos mais de R$ 500 milhões. A tese foi comprovada. Não saíram novos fundos porque o juro começou a subir.

Foi desta experiência bem sucedida que nasceu a ideia de criar a Simplix? Quais os planos para a nova iniciativa?
No ano passado, com a cisão dos sócios já concluída (RB Asset e RB Investimentos), a gente começou a pensar em como se organizar para explorar uma família de novos fundos de créditos consignados nas suas mais diferentes variantes. Foi quando decidimos criar a Simplix. Criamos a Simplix com o sócio, Marcello Xisto, um ex-executivo do Safra que construiu a carreira dentro do setor de varejo e foi o cara que levou o Safra de zero a R$ 17 bilhões na carteira de consignado. A Simplix é gestora, uma asset que faz gestão de FIDCs. Foco é o crédito consignado. Estamos olhando também para o consignado privado, além de INSS, Cartão Benefício, a gente tem o FGTS, tem o consignado estadual. Os FIDCs que a RB já tinha não entram na joint venture.

Olhando para os próximos anos, para onde caminha a RB Asset?
Pensamos em ampliar, mas não para fora do core, mas no mundo dos alternativos. Neste universo, em que dominamos o processo de subscrição, tem muita coisa que é similar, e foi o que a gente fez no consignado, o que a gente fez com a debênture de infra. Um setor que não é explorado ainda pelo mercado de capitais, mas que tem uma proteção, é o de consórcio. Dá para fazer FIDC porque transitam recebíveis, cotas de consórcio a pagar. E não precisa ser somente fundo. Precisamos originar operações, por exemplo, de securitização para os nossos fundos. E se já estiverem tomados, oferecer para os investidores.

Quais são os grandes números da casa? Quanto vocês têm sob gestão e quanto dá para crescer?
Hoje há cerca de R$ 3,5 bilhões, mas estamos com ofertas na rua, em processo de investimento. Quando isso for concluído, vamos bater em R$ 4 bilhões, mais para o final do ano. Podemos avançar bem. O mundo de infraestrutura é um planeta à parte. Tiveram os novos marcos regulatórios, como o do saneamento, e o mercado de capitais é parte do processo da dívida, mas tem outras faixas de funding da estrutura de capital de um projeto que não são ainda atendidas de maneira organizada. Estruturas mezaninas, estruturas de equity etc. Tem o próprio consórcio, como eu falei. A gente está nisso há 25 anos achando que ainda estamos nos early stages, no começo do mercado de capitais.


